A polémica começou com a divulgação de um vídeo de cerca de 20 segundos que mostrava um grupo de clientes a ser convidado a abandonar um restaurante na Costa da Caparica. Nas redes sociais, o episódio foi apresentado como um caso em que clientes portugueses teriam sido expulsos por falarem português.
O vídeo foi posteriormente partilhado pelo deputado do Chega Rui Paulo Sousa, que apresentou o caso como um exemplo de discriminação contra portugueses. A publicação teve ampla circulação online e acabou por ser também amplificada pelo presidente do partido, André Ventura.
Perante o impacto da narrativa, a agência Lusa, através da plataforma Lusa Verifica, iniciou um processo de verificação dos factos. A investigação incluiu a análise de versões anteriores do vídeo, pesquisas em redes sociais, recolha de testemunhos e contactos com os responsáveis do estabelecimento.
Segundo a Lusa Verifica, o vídeo divulgado mostrava apenas a parte final da ocorrência e não incluía os acontecimentos que a antecederam. A agência concluiu que não existiam elementos que sustentassem a alegação de que os clientes foram expulsos por falarem português.
Os proprietários do restaurante afirmaram à Lusa que a intervenção do gerente ocorreu após alegados comentários ofensivos dirigidos a uma funcionária do estabelecimento. Segundo a versão apresentada pelos responsáveis, a colaboradora terá sido alvo de expressões consideradas discriminatórias, situação que terá motivado o pedido para que os clientes abandonassem o espaço.
Na sequência da publicação da verificação da Lusa, o Diário do Distrito noticiou as conclusões da agência, dando conta de que a narrativa viral tinha sido classificada como falsa e que o vídeo não refletia a totalidade dos acontecimentos relatados pelas partes envolvidas.
Posteriormente, o Diário do Distrito publicou uma segunda peça jornalística sobre o papel desempenhado por Rui Paulo Sousa na divulgação do vídeo. Nessa notícia foi referido que o conteúdo partilhado pelo deputado assentava num vídeo cuja contextualização posterior viria a ser contestada pela investigação da Lusa Verifica.
Após essa publicação, Rui Paulo Sousa reagiu nas redes sociais, criticando o Diário do Distrito e contestando a forma como o jornal abordou o caso.
Importa sublinhar que o debate não incide sobre a orientação política de qualquer dos intervenientes, mas sim sobre a forma como a informação circula nas redes sociais e sobre a importância da verificação dos factos antes da amplificação pública de narrativas suscetíveis de gerar forte impacto social e político. Nesse sentido, a própria Lusa Verifica considerou que o vídeo inicialmente divulgado não continha o contexto completo dos acontecimentos conhecidos.
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