Críticas internas expõem divergências no CHEGA em Alcochete
A ausência de autarcas eleitos de Alcochete numa reunião partidária desencadeou críticas de militantes à estrutura local do CHEGA. O presidente distrital, Nuno Gabriel, desvaloriza a situação e rejeita qualquer instabilidade.

A ausência dos autarcas eleitos de Alcochete numa reunião da estrutura local do CHEGA, que contou com a presença do presidente da Distrital de Setúbal, Nuno Gabriel, gera contestação interna e a expor divergências na concelhia.
Num texto subscrito por um grupo de militantes da Concelhia de Alcochete, datado de 21 de março de 2026, são apontadas falhas na articulação entre a estrutura local e os eleitos, bem como críticas à condução do funcionamento interno.
Os subscritores consideram que a coordenação concelhia, liderada por Eugénia Murjal, tem responsabilidades na mobilização e coesão interna, defendendo que a ausência dos autarcas numa reunião considerada relevante levanta dúvidas sobre a comunicação e o alinhamento político no concelho.
O documento refere ainda decisões internas que, segundo os militantes, não terão sido acompanhadas da necessária clareza, nomeadamente no que diz respeito à participação de militantes. Essa situação, acrescentam, tem gerado dúvidas e descontentamento dentro da estrutura.
Entre os pontos mais sensíveis está a referência ao alegado afastamento de militantes de canais de participação, sem fundamentação conhecida, o que, segundo os autores, pode comprometer a coesão interna e o funcionamento da concelhia.
No plano distrital, os militantes apontam também à ausência de uma posição pública por parte de Nuno Gabriel, considerando que uma intervenção poderia contribuir para clarificar a situação e reduzir a perceção de instabilidade.
Confrontado pelo Diário do Distrito, o presidente da Distrital de Setúbal do CHEGA rejeita a existência de qualquer crise interna. Nuno Gabriel afirma que “o distrito está bem e recomenda-se”, recordando que o partido venceu as últimas eleições legislativas no distrito.
O dirigente sustenta que a sua liderança é reconhecida internamente e refere a sua nomeação para figura política do ano no distrito de Setúbal na Gala dos Golfinhos D’ouro.
Sobre as críticas relativas à participação de militantes, garante que “não houve exclusão de quaisquer militantes de qualquer espaço de participação”, acrescentando que promove essa participação dentro do partido.
Quanto à ausência de declarações públicas, explica que o silêncio ocorre quando entende que tal contribui para “proteger o partido”.
Relativamente à situação em Alcochete, afirma que não são necessárias medidas adicionais, defendendo que “Alcochete, assim como o distrito, está bem e recomenda-se”.
Nuno Gabriel enquadra ainda as críticas no contexto interno do partido, referindo que surgem num ano de eleições para a distrital de Setúbal e associando-as a posições individuais de alguns militantes.
Apesar da resposta da liderança distrital, o episódio evidencia divergências internas na concelhia de Alcochete, com leituras distintas sobre o funcionamento da estrutura local e o papel da direção distrital.
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