Crise no Monte da Caparica: Moradores do Penajoia pedem solução urgente para risco de despejo
Moradores do bairro Penajoia, no Monte da Caparica, enfrentam a iminência de despejo pelo IHRU e clamam por alternativas habitacionais antes do prazo de 10 de julho.
Os residentes do bairro Penajoia, localizado no Monte da Caparica, procuram uma solução urgente diante da ameaça iminente de despejo pelo Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU). Este bairro, erguido durante a pandemia de Covid-19 para abrigar famílias sem opções habitacionais, atualmente acolhe aproximadamente 160 agregados familiares, totalizando cerca de 350 pessoas, incluindo 60 crianças, seis bebés recém-nascidos, 17 adolescentes, além de idosos, doentes crónicos e mulheres grávidas.
O IHRU notificou os moradores mediante um edital, datado de 12 de junho, sobre a intenção de remover construções e bens a partir de 10 de julho, gerando apreensão na comunidade. Os moradores alegam ter tentado estabelecer contacto com o IHRU sem sucesso, aumentando a incerteza quanto ao futuro próximo.
Durante a recente Assembleia Municipal de Almada, os moradores expressaram as suas preocupações e apelaram por apoio das autoridades locais. Rosana, uma das moradoras, destacou: “Construímos as nossas casas por falta de opções. Pedimos à câmara e ao IHRU apoio para realojamento. Não queremos ver mais famílias desabrigadas”.
Associações e grupos solidários que apoiam o Penajoia lamentam a falta de resposta do IHRU aos pedidos de diálogo e esclarecimentos feitos ao longo das últimas semanas. Enquanto isso, a Câmara Municipal de Almada, embora tenha ativado a fiscalização sobre as construções, aponta que a responsabilidade é exclusivamente do IHRU, uma vez que o terreno não é municipal.
Inês de Medeiros, presidente da Câmara Municipal de Almada, reconheceu os apelos dos moradores durante a assembleia, enfatizando que a situação é crítica e requer ação imediata do IHRU. Francisca Parreira, vereadora responsável pela Fiscalização Municipal, afirmou que a câmara acompanha a situação de perto desde o início das construções.
Em resposta à situação, o IHRU explicou à agência Lusa que o processo de remoção das construções será gradual, permitindo tempo para as famílias desocuparem a área. Contudo, não especificou quais entidades serão responsáveis por oferecer soluções habitacionais alternativas para aqueles que demonstrarem não ter aonde ir.
A incerteza paira sobre o futuro dos moradores do Penajoia, enquanto a pressão aumenta para que soluções humanitárias sejam encontradas antes do prazo estipulado pelo IHRU. A situação revela uma complexa teia de responsabilidades entre entidades públicas, deixando em aberto o destino de centenas de pessoas que construíram as suas vidas num terreno que agora enfrenta um futuro incerto.
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