Corridas Ilegais: A ameaça que não dá sinais de paragem
As corridas ilegais na Margem Sul do Tejo continuam a crescer, transformando estradas em pistas clandestinas onde a velocidade extrema desafia a lei e coloca vidas em risco. Autoridades intensificam operações, mas os ‘aceleras’ persistem. Medidas como radares e patrulhamentos tentam travar este fenómeno, mas será suficiente?

As corridas ilegais continuam a ser um problema crescente na Margem Sul do Tejo, com condutores a desafiar a lei em busca de adrenalina e reconhecimento. Apesar do reforço da fiscalização, os chamados “aceleras” insistem em transformar estradas em pistas clandestinas, colocando vidas em risco e desafiando as autoridades.
A Margem Sul, com as suas zonas industriais desertas e vias rápidas, tornou-se o palco perfeito para estas competições ilegais. Locais como a Ponte Vasco da Gama, a zona industrial do Montijo e avenidas em Almada são frequentemente escolhidos para disputas que atingem velocidades extremas. Os encontros são organizados através das redes sociais, atraindo centenas de espetadores que, além de assistirem às corridas, fazem apostas ilegais. Sem qualquer tipo de segurança, muitos destes eventos já terminaram em acidentes fatais, além de gerarem um grave problema de poluição sonora, alvo de inúmeras queixas dos moradores.
A resposta das autoridades
A GNR e a PSP têm intensificado operações contra estas práticas. Em setembro de 2021, mais de 30 veículos foram apreendidos numa megaoperação em Setúbal. Além das habituais patrulhas, as autoridades têm apostado na monitorização das movimentações dos “aceleras”. Uma das medidas mais rigorosas foi a instalação de radares de velocidade média na Ponte Vasco da Gama, que, em apenas três meses de testes, registaram 275 infrações muito graves — algumas atingindo 277 km/h.
Nos últimos meses, as forças policiais têm realizado várias operações de fiscalização em pontos estratégicos onde os adeptos destas corridas ilegais costumam reunir-se. O Diário do Distrito apurou que os dias mais comuns para estas atividades ilícitas são as noites de quinta a sexta-feira, quando o tráfego é reduzido, permitindo que os participantes acelerem sem grandes obstáculos.
Os locais de encontro normalmente situam-se nas periferias de Lisboa e têm ligação à Ponte Vasco da Gama. O principal ponto de partida ocorre junto ao Bairro da Encarnação, nos acessos à Segunda Circular, facilitando a entrada na ponte. No entanto, outros locais também são escolhidos, como a zona do Parque das Nações ou áreas sob a Ponte Vasco da Gama, com ligação a Loures. A partir daí, os condutores entram rapidamente nas vias de acesso à ponte, iniciando as suas competições clandestinas.
Mesmo com a instalação de radares na infraestrutura, os adeptos destas corridas garantem que respeitam os limites de velocidade até às portagens. No entanto, logo após passarem as cabines, o arranque acontece em segundos, com os motores a rugirem a quilómetros de distância. Também na A12, a partir das portagens de Pinhal Novo, são comuns os disparos do painel de rotações acima dos 200 km/h.
O perigo não se restringe apenas às autoestradas. Na noite de 23 de novembro, Gustavo Gomes, um condutor que circulava na Estrada Nacional 5, viu-se inesperadamente no meio de uma corrida ilegal. “Dois automóveis vinham na minha direção e só tive tempo de encostar na berma para evitar o pior”, relata.
Outro local problemático é a zona da Figueirinha, em Setúbal. Recentemente, numa das últimas operações da GNR, vários indivíduos foram detetados a preparar-se para correr em alta velocidade na Estrada Nacional 379-1, que liga a praia da Figueirinha à Avenida Luísa Todi.
Impacto nos moradores e na segurança pública
Os residentes das zonas mais afetadas, como Montijo e Almada, denunciam a crescente insegurança noturna. “O barulho dos motores e dos pneus a chiar torna-se insuportável. Algumas noites, parece que estamos numa pista de corridas e não numa cidade”, relata João Mendes, morador do Montijo há 15 anos. Além do impacto sonoro, há o medo constante de acidentes que possam envolver peões e outros condutores que circulam normalmente nas estradas.
As forças de segurança admitem dificuldades em travar este fenómeno. “Reforçamos patrulhas e trabalhamos com tecnologia, mas os grupos organizam-se rapidamente através das redes sociais e mudam de local sem aviso”, explica uma fonte da GNR e PSP. Muitos destes grupos utilizam plataformas como WhatsApp e Telegram para marcar encontros em locais diferentes a cada evento, dificultando a ação policial.
O fator ambiental: mais do que um problema de segurança
Além dos riscos diretos para quem participa ou assiste às corridas ilegais, há também um impacto ambiental significativo. O consumo excessivo de combustível e a emissão de gases poluentes aumentam nestas práticas, especialmente porque muitos veículos são modificados para maior potência e desempenho. “Os escapes livres e as descargas de óxido nitroso aumentam substancialmente a poluição do ar, sem contar com os resíduos de pneus e óleo que ficam espalhados pelas vias”, alerta Sofia R., engenheira ambiental.
Outro problema ambiental é o uso de espaços abandonados para estas atividades, deixando um rastro de destruição e lixo. Em várias zonas industriais, já foram encontrados pneus queimados, latas de combustível e destroços de veículos que sofreram acidentes durante estas corridas clandestinas.
Soluções aplicadas em outros países
Portugal não é o único país a lidar com este problema. Em Espanha, por exemplo, algumas cidades adotaram medidas inovadoras, como a criação de zonas de velocidade controlada para testes legais de automóveis. Em Madrid, um autódromo foi disponibilizado para entusiastas do automobilismo a preços acessíveis, reduzindo significativamente as corridas ilegais na capital espanhola.
Nos Estados Unidos, a polícia de Los Angeles implementou um programa de perseguições controladas, utilizando viaturas de alto desempenho para combater diretamente as corridas ilegais. Os condutores flagrados nestas práticas enfrentam multas superiores a 5.000 dólares e podem ter os seus veículos apreendidos definitivamente.
O caminho para Portugal: soluções possíveis
A criação de circuitos legais pode ser uma alternativa viável em Portugal, permitindo que os apaixonados por velocidade tenham um espaço seguro para competir sem comprometer a segurança pública. “Se houvesse um local onde pudéssemos correr legalmente, evitaríamos muitos destes problemas”, admite um jovem piloto amador, que prefere não se identificar.
Outra possível solução seria o aumento das penas para organizadores e participantes reincidentes, bem como o reforço da colaboração entre polícias municipais e nacionais para identificar e dispersar encontros antes que as corridas comecem. Além disso, campanhas de sensibilização podem ter um papel fundamental, mostrando os riscos reais dessas atividades e incentivando opções seguras.
Apesar do reforço da fiscalização e das novas tecnologias aplicadas na prevenção, as corridas ilegais continuam a ser um problema grave na Margem Sul. O impacto vai além da segurança rodoviária, afetando a qualidade de vida dos moradores, o meio ambiente e a própria reputação da cultura automóvel. Exemplos internacionais mostram haver alternativas viáveis, mas é preciso vontade política e um esforço conjunto para transformar a realidade.
Segundo o que conseguimos apurar, muitas das vezes as corridas ilegais são realizados na sua maioria entre automóveis de alta cilindrada, mas também existem corridas entre motas e automóveis.
Conseguimos chegar à fala com um desses adeptos que pediu anonimato com medo de represálias que nos explicou que “muitas das vezes, as corridas ilegais são feitas também com aposta, há quem aposte mesmo o seu automóvel para entrar nas apostas que são feitas, mas o risco não está só nos acidentes, está ainda no jogo, caso perca, perde o seu bem precioso”, diz-nos a nossa fonte que a transformação das viaturas chega a custar milhares de euros, para poderem transformar a viatura num autêntico automóvel de corrida, mas em vez de ser num recinto apropriado para o efeito, todas as vezes é feita em via pública.
“Há quem sonhe com automóveis como aquele filme ‘Velocidade Furiosa’, há automóveis transformados que podem chegar a cem mil euros”, avança.
Mas rejeita que os automóveis transformados sejam tuning, para a nossa fonte isso é outro patamar: “a transformação das viaturas em nada tem a ver com tuning, isso é outra praia, sim, porque o tuning é feito para os amantes da beleza dos automóveis, aqui os automóveis são transformados para ter mais dinâmica e desempenho de corrida”, diz.
Este é quase um mercado negro, tudo muito camuflado e quando sentem que existe alguma coisa de estranho, quase que nem se conseguem ver, este desporto que passa a ser ilegal, é muito apetecível para jovens dos 16 aos 30 anos, mas sabemos que existem pessoas dos 40 que também são adeptos de corridas ilegais, quando se fala em necessidade monetária, rejeitam essa ideia, pois um automóvel transformado que pode chegar a milhares de euros não é para qualquer um, e o exemplo está a olhos vistos.
As autoridades policiais muitas das vezes realizada várias operações de fiscalização que dá sempre um balanço positivo, com viaturas e até motociclos apreendidos ou multas avultadas porque as transformações realizadas nas viaturas não estão certificadas pela entidade competente.
Mas nem sempre existem operações por parte da GNR ou PSP, mas o objetivo é tentar estar atento a este mundo que muitas das vezes se torna em autênticos torneios e com plateias de centenas de pessoas a assistir.
As autoridades sabem que os eventos acontecem, em que datas, horas e locais.
A pergunta que fica no ar é: será necessário mais tragédias para que esta realidade mude?
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Se quando são apanhados lhe fosse aplicada uma valente coima,eles perdiam essa pica toda 🙄
Corridas ilegais em Setúbal e a policia não consegue evitar ou parar????? Só para rir… que tristeza!
Até faz crer que são coniventes !!!
Acordaram pro mundo em 2025…
Mais radares e mais patrolhamentos