Conhecido adepto do Benfica emociona com confissão
Guilherme Cabral revelou uma realidade que manteve em silêncio durante anos e contou que ia ser submetido a uma cirurgia maxilofacial para melhorar a respiração - entretanto já realizada e que correu muito bem, segundo palavras do próprio.
Guilherme Cabral, adepto do Benfica, revela batalha que manteve em silêncio
Conhecido pelos vídeos ligados ao Benfica que, ao longo dos anos, conquistaram milhares de seguidores, Guilherme Cabral decidiu partilhar uma realidade pessoal que manteve este adepto longe das redes sociais durante muito tempo. Num vídeo publicado nas redes sociais, o adepto encarnado revelou que nasceu com síndrome de Treacher Collins, uma síndrome genética rara que, segundo o próprio, afetou o desenvolvimento dos ossos da face, da mandíbula, das vias aéreas, da audição e da visão.
“Há dores que simplesmente não fazem barulho e há batalhas que ninguém vê”, começa por dizer Guilherme Cabral no testemunho, onde descreve as dificuldades físicas e emocionais que enfrenta desde o nascimento.
O conhecido adepto explica que não ouve de um dos ouvidos, vê muito mal de um olho, apresenta alterações craniofaciais visíveis e tem uma mandíbula muito retraída, além de, segundo relata, um espaço respiratório extremamente reduzido.
“O meu corpo está há anos em sofrimento”
Guilherme Cabral conta que durante muitos anos considerou normal viver constantemente cansado e acordar sem energia, sem perceber totalmente a dimensão do problema que enfrentava. Segundo o próprio, sofre de dificuldades respiratórias durante o sono e chega a ter mais de 100 episódios de apneia por noite. “Durante muito tempo, eu achei que viver cansado era normal”, confessa.
O adepto do Benfica acrescenta que chegou a pensar que acordar “destruído” e sentir o cérebro pesado fazia parte da sua personalidade. “Mas não fazia. O meu corpo está há anos em sofrimento”, afirma.
As dificuldades chegaram igualmente à alimentação. Guilherme Cabral relata que, numa determinada altura, comer começou a tornar-se difícil devido ao comprometimento do espaço funcional entre a garganta e a via aérea. “Eu vomitava, comia e vomitava. Nessa semana perdi 5 kg”, conta.
O impacto do bullying e da própria imagem
Para além das dificuldades físicas, Guilherme Cabral fala também do impacto que os comentários, as piadas e os olhares tiveram na forma como passou a olhar para si próprio. O adepto recorda que chegou a editar as próprias fotografias, nomeadamente para alterar as orelhas e esconder determinadas caraterísticas do rosto.
“Quando crescemos a ouvir piadas, comentários ou a sentir olhares, começamos lentamente a acreditar que somos nós que temos de esconder quem somos para, de uma maneira ou de outra, sermos mais aceites”, afirma.
Guilherme Cabral considera que o bullying não termina necessariamente quando a pessoa regressa a casa. “Ele fica na cabeça, no espelho, em cada fotografia tirada. Fica na forma como nos vemos”, explica.
Cirurgia pretende melhorar a respiração
No testemunho, Guilherme Cabral revela também que seria submetido a uma cirurgia maxilofacial (entretanto, já realizada e que, segundo palavras do próprio, “correu muito bem”), que descreve como um momento decisivo na sua vida. O objetivo, segundo explica, não está relacionado com a estética.
“Isto não vai ser para ficar mais bonito. Não é para agradar aos outros. Não é por estética. É simplesmente porque eu preciso de respirar”, afirma. Guilherme Cabral explica que a intervenção deverá permitir avançar os maxilares e aumentar o espaço disponível para a passagem do ar, procurando melhorar as dificuldades respiratórias que descreve.
“Preciso de viver e não apenas de sobreviver”, resume. O conhecido adepto reconhece que a recuperação será “dura” e “lenta”, mas decidiu partilhar publicamente o processo com as pessoas que o acompanham.
“Vocês não estão sozinhos”
A decisão de revelar esta realidade teve igualmente como objetivo chegar a outras pessoas que enfrentam situações semelhantes. Guilherme Cabral diz saber que existem pessoas a viver com apneias, diferenças faciais ou problemas relacionados com a própria imagem, assim como pessoas que continuam a sofrer as consequências do bullying.
“Eu decidi fazê-lo porque sei que existem milhares de pessoas a sofrer em silêncio com o mesmo problema que eu”, explica. “Eu quero que saibam uma coisa: vocês não estão sozinhos, nem nunca estarão”, acrescenta. No final do vídeo, Guilherme Cabral coloca uma reflexão em cima da mesa sobre a forma como as pessoas são muitas vezes julgadas pela aparência.
“Durante anos eu tentei adaptar-me ao mundo sem perceber que o meu corpo estava apenas a tentar respirar”, afirma. Por fim, deixa uma última mensagem: “Nunca julgues a batalha de alguém pela sua aparência, porque às vezes a pessoa que mais sorri é aquela que passou anos a lutar em silêncio só para conseguir respirar.” O testemunho de Guilherme Cabral gerou forte reação nas redes sociais, levando muitos dos seus seguidores a conhecer uma realidade que, até agora, o conhecido adepto do Benfica tinha mantido em silêncio.
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