Condenação por dois homicídios de predador sexual reincidente expõe falhas no sistema judicial do Reino Unido
Condenação de predador sexual com vários antecedentes causa polémica no Reino Unido
Simon Levy, de 40 anos, foi hoje considerado culpado no Old Bailey, em Londres, de dois homicídios, duas violações e outros crimes de natureza sexual, incluindo lesão corporal grave e estrangulamento intencional, num processo que expôs uma sucessão de falhas e decisões das autoridades britânicas perante um homem que já tinha um historial de violência sexual.
A sentença será determinada posteriormente, mas, pelas condenações por homicídio, Levy enfrenta prisão perpétua obrigatória, cabendo ao tribunal definir o período mínimo que terá de cumprir antes de poder eventualmente requerer liberdade condicional.
O caso tem gerado polémica no Reino Unido uma vez que o julgamento de Levy pelos homicídios de Carmenza Valencia-Trujillo, de 53 anos, e Sheryl Wilkins, de 39, além de violação e outros crimes sexuais, revelou uma sequência de agressões que colocou em causa a resposta de diferentes organismos policiais e judiciais.
A sucessão dos acontecimentos tornou-se uma das questões mais perturbadoras do processo, com as autoridades judiciais a serem questionadas sobre o motivo de terem libertado um suspeito com condenações e antecedentes por crimes sexuais depois de ter entrado no radar das autoridades por uma investigação de homicídio.
Em 2021 Simon Levy foi condenado por crimes sexuais e já tinha sido detido outras duas vezes, estando sujeito a mecanismos de supervisão destinados a acompanhar indivíduos considerados potencialmente perigosos.
Um dos pontos que agora está sob análise é a alteração da sua avaliação de risco, que passou de elevado para médio, bem os problemas relacionados com investigações de agressões sexuais e com a transmissão de informação entre diferentes organismos.
A Metropolitan Police, a British Transport Police e o Crown Prosecution Service estão entre as entidades sob escrutínio, por terem ‘grosseiramente falhado na sua missão de proteção’, como têm apontado os comentadores.
Duas mulheres mortas em cinco meses e uma violada e deixada à morte
Em cinco meses, Simon Levy matou duas mulheres. Carmenza Valencia-Trujillo foi encontrada morta em março de 2025, num edifício abandonado em Walworth, no sul de Londres, crime do qual Levy viria a ser detido no âmbito da investigação, mas acabou por ser libertado.
Em agosto, apenas cinco meses depois, Sheryl Wilkins foi encontrada morta em Tottenham, no norte da capital britânica.
A acusação sustentou que Levy foi responsável pelas duas mortes.
Levy foi também condenado por crimes sexuais, incluindo a violação de uma terceira mulher. Segundo a acusação, o ataque foi de tal violência que Levy deixou a vítima convencido de que ela estava morta.
O processo revelou ainda outras agressões sexuais, algumas relacionadas com transportes públicos de Londres, e as autoridades têm vindo a solicitar a possíveis vítimas que apresentem os seus casos.
A acusação apresentou Levy como um predador sexual em série, descrevendo uma escalada de violência que culminou nos homicídios.
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