Comissão de Trabalhadores acusa Autoeuropa de incumprir acordos e admite avançar para plenários após férias
Comissão de Trabalhadores da Volkswagen Autoeuropa admite realizar novos plenários
A Comissão de Trabalhadores (CT) da Volkswagen Autoeuropa acusa a empresa de não cumprir compromissos assumidos no Acordo Laboral, apontando atrasos na implementação da cobertura de Doenças Graves no seguro de saúde e na concretização do Plano Demográfico.
Em comunicado, a estrutura representativa dos trabalhadores considera a situação ‘inaceitável’ e admite convocar plenários após o período de férias para decidir futuras formas de atuação, alegando que o Acordo Laboral previa que a cobertura para Doenças Graves entrasse em vigor em julho de 2026.
No entanto, a empresa terá apresentado duas propostas que a Comissão considera insuficientes por não responderem às necessidades e expectativas dos trabalhadores. Após um período sem desenvolvimentos, a empresa informou estar disponível para retomar as negociações com uma nova proposta.
Também o Plano Demográfico é apontado como um dos dossiês em atraso, uma vez que os trabalhos deveriam ter começado em março deste ano, mas, cinco meses depois, realizaram-se apenas duas reuniões, sem avanços considerados significativos.
Perante este cenário, a CT afirma que os compromissos assumidos «devem ser cumpridos» e não podem depender da vontade da empresa. Caso o impasse se mantenha, a estrutura representativa anuncia que irá ouvir os trabalhadores em plenários, após as férias, para decidir os próximos passos.
CT critica solução para vagas de lançamento
O comunicado aborda ainda a gestão das chamadas vagas de lançamento. Em resposta a pedidos de trabalhadores, passou a ser permitida, de forma excecional e apenas durante 2026 e 2027, a realização de dois lançamentos consecutivos, relativos aos projetos T-ROC 386 e VW ID.1, permitindo que um trabalhador desempenhe funções superiores durante um período que pode chegar aos 36 meses, sem que isso implique promoção, reclassificação profissional ou alteração da categoria.
A Comissão de Trabalhadores considera que esta solução não valoriza adequadamente quem assume responsabilidades acrescidas durante um período tão prolongado, embora entenda que a decisão de aceitar ou recusar esta possibilidade deve caber a cada trabalhador, de acordo com as suas expectativas profissionais.
Como alternativa, a CT defende a criação de uma bolsa de trabalhadores já promovidos para responder às necessidades dos futuros lançamentos, evitando que funcionários permaneçam durante anos em funções superiores sem o correspondente reconhecimento profissional.
Reestruturação da Volkswagen não afecta Palmela
Relativamente à reestruturação anunciada pelo Grupo Volkswagen, que prevê reduções de postos de trabalho em algumas unidades do grupo, a Comissão de Trabalhadores procura transmitir uma mensagem de tranquilidade aos trabalhadores da fábrica de Palmela, e no comunicado afira que «a redução de postos de trabalho anunciada não afeta, nesta fase, a Volkswagen Autoeuropa», mas garante continuar a acompanhar a evolução da situação.
No mesmo comunicado, a Comissão manifesta ainda solidariedade para com os trabalhadores das fábricas da Volkswagen na Alemanha que enfrentam processos de reestruturação, sublinhando que a união e a solidariedade entre os trabalhadores serão determinantes para enfrentar os desafios que o setor automóvel atravessa.
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