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Comboios cheios, promessas vazias: utentes exigem respostas à Fertagus

A Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul pede esclarecimentos ao Governo e à Fertagus sobre as carruagens anunciadas para reforçar o serviço, num contexto de atrasos frequentes e composições sobrelotadas.

A pressão dos utentes da Fertagus voltou a subir de tom. Perante atrasos sucessivos, falhas na circulação e comboios sistematicamente cheios nas horas de ponta, a Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul (CUMTS) exigiu explicações formais ao Governo e à operadora ferroviária sobre as medidas prometidas para reforçar o serviço.

Em causa está a informação avançada em setembro sobre a aquisição de duas carruagens à operadora espanhola Renfe, com a possibilidade de compra de mais duas unidades. A notícia, divulgada na altura, apontava para a chegada das primeiras carruagens a Portugal em outubro, como resposta à crescente procura na ligação ferroviária entre Lisboa e Setúbal.

Quatro meses depois, os utentes querem saber o que mudou. “Face à urgente necessidade de reforço da oferta, atendendo à situação caótica que se vive hoje, com composições constantemente sobrelotadas”, a comissão questiona se as aquisições se concretizaram e qual o calendário previsto para a entrada ao serviço do novo material circulante.

Embora reconheça que estas carruagens aliviem a pressão nas horas de maior afluência, a CUMTS considera que a medida é insuficiente. Para os utentes, trata-se apenas de “um penso rápido”, defendendo soluções estruturais, como a redução do intervalo entre comboios para cinco ou seis minutos nas horas de ponta, sempre com composições duplas.

A comissão aguarda respostas, mas sublinha que o essencial é a concretização das medidas no terreno. O objetivo, refere, passa por garantir segurança, conforto e fiabilidade num serviço que regista um aumento significativo da procura nos últimos anos.

Paralelamente, os utentes questionaram a Fertagus sobre a manutenção do material circulante, após várias ocorrências que levaram à imobilização de comboios e a graves atrasos na circulação. Desde o início de janeiro foram registadas pelo menos quatro anomalias, uma das quais relacionada com a infraestrutura ferroviária.

As críticas ganharam maior visibilidade na terça-feira, quando o presidente da Câmara Municipal do Seixal, Paulo Silva, classificou como “desumana” como os passageiros viajam nos comboios da Fertagus. O autarca realizou uma viagem entre Foros de Amora e Corroios e relatou um atraso de 20 minutos, num comboio completamente cheio e sem condições de conforto.

Perante os constrangimentos recorrentes, foi lançada no início do mês uma petição ‘online’, à qual a comissão de utentes associou-se, a exigir uma melhoria urgente do serviço ferroviário. O documento já reúne 5.442 assinaturas e denuncia atrasos frequentes, supressões de comboios, sobrelotação e falhas graves na informação aos passageiros.

Os peticionários pretendem que o tema seja debatido no parlamento e alertam para os impactos diretos na vida de milhares de trabalhadores, estudantes e famílias da Área Metropolitana de Lisboa, com prejuízos profissionais, económicos e pessoais.

A Fertagus detém a concessão do transporte ferroviário de passageiros no eixo norte-sul, incluindo a travessia da Ponte 25 de Abril, ligando Lisboa e Setúbal, num total de 14 estações, dez na margem sul e quatro na margem norte do Tejo.


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