Churrasqueira Fidalgo fecha portas na Quinta dos Fidalguinhos: a culpa é de quem não quer trabalhar?
A Churrasqueira Fidalgo, na Quinta dos Fidalguinhos, no Barreiro, anunciou esta semana o encerramento temporário das suas portas por falta de pessoal. O estabelecimento já recruta um churrasqueiro com experiência para reabrir o mais depressa possível e promete voltar com a qualidade do costume.
Portas fechadas, fogão apagado e clientes sem o cheiro a churrasco a que estavam habituados. A Churrasqueira Fidalgo, na Quinta dos Fidalguinhos, no Barreiro, surpreendeu esta semana a sua clientela com um anúncio inesperado nas redes sociais: encerramento temporário por falta de pessoal, com vaga aberta para quem se apresente com experiência na grelha e disponibilidade imediata.
O comunicado publicado no Facebook foi direto e transparente. O estabelecimento assumiu sem rodeios a situação, explicando que o problema não é de procura nem de qualidade, mas sim de recursos humanos. «Estamos agora a recrutar churrasqueiro com experiência, para integração imediata na nossa equipa», escreveu a casa, apelando a todos os que possam ajudar a divulgar a oferta de emprego.
O que poderia ser apenas mais um anúncio de recrutamento acabou por se transformar num desabafo que muitos empresários da restauração reconheceram como seu. A Churrasqueira Fidalgo foi mais longe e colocou o dedo na ferida: «Muito se fala da falta de oportunidades de trabalho, mas cada vez é mais difícil encontrar pessoas com vontade, compromisso e disponibilidade para trabalhar.» A frase gerou reações em cadeia nas redes sociais, com clientes e outros empresários a partilhar experiências semelhantes.
O sector da restauração em Portugal vive há anos com esta dualidade. De um lado, os números do desemprego. Do outro, donos de negócio que não conseguem preencher postos de trabalho. No ramo da restauração, o problema é ainda mais acentuado: horários exigentes, fins-de-semana e feriados ao serviço, e salários que nem sempre conseguem competir com outras áreas ou com as condições oferecidas por países vizinhos da Europa, para onde muitos profissionais continuam a emigrar.
O ofício de churrasqueiro, em particular, é daqueles que exige tempo de aprendizagem, domínio do ponto de cozedura e resistência física. Não é uma função que se improvisa, e a Churrasqueira Fidalgo sabe disso melhor do que ninguém. A decisão de fechar temporariamente em vez de abrir com menos qualidade diz muito sobre a postura da casa perante os seus clientes.
A mensagem terminou com uma promessa. «Esperamos voltar em breve para continuar a servir com a qualidade e dedicação de sempre», garantiu o estabelecimento, agradecendo a compreensão de todos e reforçando que a paragem é estritamente temporária. A base de confiança construída ao longo dos anos com a clientela habitual permanece, segundo a própria casa, intacta.
Para já, quem quiser o churrasco da Fidalgo terá de esperar um pouco mais. Mas a casa promete voltar.

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