Chega admite avançar com comissão de inquérito sobre gestão de Luís Neves na PJ
André Ventura considera que existem motivos para uma comissão parlamentar de inquérito relacionada com os anos em que Luís Neves liderou a Polícia Judiciária. O líder do Chega acusa o Governo de não responder às dúvidas levantadas sobre as recentes polémicas que envolvem o ministro da Administração Interna.
O Chega admite avançar com uma comissão parlamentar de inquérito para esclarecer questões relacionadas com a atuação de Luís Neves durante o período em que exerceu funções como diretor nacional da Polícia Judiciária.
A possibilidade foi levantada por André Ventura antes de uma reunião com a direção nacional e o grupo parlamentar do partido. O líder do Chega defendeu que as instituições devem ser protegidas de situações que possam comprometer a sua credibilidade e afirmou que o tema estará em análise pelos órgãos internos da força política.
A posição surge numa altura em que o ministro da Administração Interna continua envolvido em controvérsias relacionadas com obras realizadas numa propriedade sua por uma empresa que, no passado, executou trabalhos para a Polícia Judiciária. A polémica ganhou nova dimensão após terem surgido dúvidas sobre a movimentação de um semirreboque apreendido num processo de tráfico de droga e posteriormente encontrado ligado à mesma empresa.
Ventura considera que estas situações contribuem para um clima de desgaste institucional e acusa o Governo de não estar a responder de forma clara às questões levantadas pela oposição.
O presidente do Chega sublinhou ainda que continua sem receber respostas à carta enviada ao primeiro-ministro sobre este assunto, bem como aos pedidos de esclarecimento dirigidos à ministra da Justiça.
Sem confirmar uma eventual moção de censura ao executivo, André Ventura advertiu que a ausência de respostas poderá levar o partido a adotar uma posição política mais dura nas próximas semanas.
Com 60 deputados na Assembleia da República, o Chega dispõe de parlamentares suficientes para requerer sozinho uma comissão parlamentar de inquérito, uma vez que a lei exige a iniciativa de pelo menos um quinto dos deputados em efetividade de funções.
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