Centeno quis trocar as Finanças por uma missão para reformar a Saúde
Mário Centeno revelou que, após as eleições legislativas de 2019, propôs ao então primeiro-ministro António Costa abandonar o Ministério das Finanças para assumir um cargo com funções transversais dedicado à reforma da gestão da Saúde. A revelação consta do livro "Contas Certas", que será apresentado esta semana.
O antigo ministro das Finanças Mário Centeno propôs a António Costa, após as eleições legislativas de 2019, deixar a tutela das Finanças para assumir um papel governativo centrado na modernização e reforma da gestão do setor da Saúde.
A revelação surge no livro “Contas Certas”, da autoria do ex-governante, cuja apresentação está marcada para a próxima sexta-feira. Segundo excertos divulgados pelo jornal Público, Centeno acreditava que o Serviço Nacional de Saúde necessitava de mudanças profundas ao nível da gestão dos recursos e pretendia desempenhar funções de ministro de Estado, ou assumir um cargo equivalente com competências transversais.
De acordo com a publicação, o antigo ministro tinha definido um plano que passava por permanecer no Governo até ao verão de 2020, altura em que terminaria o seu percurso político antes de assumir novas funções institucionais.
Nas páginas do livro, Centeno revela que discutiu o seu futuro com António Costa após a vitória socialista nas legislativas de outubro de 2019. Apesar de ter apresentado a proposta e de defender uma reorganização das suas responsabilidades governativas, afirma que nunca recebeu uma resposta concreta do então primeiro-ministro.
“Era um tema que eu tinha posto em cima da mesa e que, obviamente, gostaria que tivesse sido discutido comigo, pelo menos para ir a jogo. Não foi”, escreve o antigo governante.
O ex-ministro refere ainda que tinha uma solução pensada para a sua sucessão nas Finanças, apontando o nome de João Leão para assumir a tutela.
Contudo, o próprio livro reconhece que uma eventual reforma da gestão da Saúde dificilmente teria avançado conforme previsto. Poucos meses após a formação do novo Governo, Portugal foi confrontado com a pandemia de Covid-19, alterando profundamente as prioridades políticas e administrativas do país.
Após quatro anos à frente do Ministério das Finanças, Centeno manteve-se no cargo após as legislativas de 2019 e liderou a preparação do Orçamento do Estado para 2020, acabando por abandonar o Governo meses depois para assumir a liderança do Banco de Portugal.
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