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Centenas de estudantes do ensino artístico protestaram em frente ao Ministério da Educação

Professores e alunos dizem que o congelamento do financiamento público desde 2009 é a principal causa do abandono no ensino artístico. Várias escolas do distrito de Setúbal estiveram presentes.

Estudantes do ensino artístico de vários pontos do país manifestaram-se hoje, em frente ao Ministério da Educação, por melhores condições de aprendizagem e mais financiamento. Vindos de Bragança, Guimarães, Porto e outros pontos do país, centenas de estudantes, professores e encarregados de educação reivindicaram o direito ao ensino público artístico como elemento essencial para a formação no país.

Em entrevista ao Diário do Distrito, Joana Gonçalves, aluna da Companhia de Dança de Almada (CA.DA) confessou-nos que o seu “sonho é ser bailarina profissional”. Explica que desde o seu 5º ano de escolaridade que “os pais tiveram de lhe pagar a educação”, que considera ser um dever do Estado garantir o ensino público.

“Acho que o Governo tem valorizar mais a arte. Estamos aqui hoje a protestar para tentar mudar esta situação. É importante que o Estado perceba que esta é a vocação de muitas crianças, a música, o teatro e a dança, que são insubstituíveis”, disse Joana Gonçalves.

Falámos também com Bruno Duarte, professor de dança na CA.DA, que explica o protesto foi motivado pelo congelamento do financiamento para o ensino artístico. “É o único ramo do ensino que não tem uma revisão e um aumento do financiamento desde 2009. As bolsas, especialmente para o ensino secundário são insuficientes, muitos alunos têm ensino artístico até ao secundário e depois têm de abandonar por falta de meios”, disse o professor.

Do ponto de vista da qualidade do ensino, o professor descreve a situação como “complicada”, sendo que é um tipo de aprendizagem “que requer muitas horas de treino” e que por isso “são precisos muitos professores, de áreas muito diferentes, e como o ensino destes alunos não é financiado, muitas vezes as escolas têm grandes prejuízos”.

“Sentimos uma grande injustiça – os alunos que têm menos capacidades no momento, que não consigam manter notas, têm de abandonar este tipo ensino”. O professor deixou ainda uma questão para o Governo: “porque é que o ensino artístico é visto como menos relevante, sendo que muitos destes alunos têm os melhores aproveitamentos das suas escolas secundárias?”


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