Montijo

CCDR LVT aposta em Pegões para proteger a diversidade genética da videira portuguesa

Pegões reforça papel de referência na preservação da diversidade genética da videira portuguesa

A Herdade de Pegões está a consolidar-se como um polo de referência nacional na preservação da diversidade genética da videira portuguesa. O trabalho desenvolvido neste espaço, gerido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR LVT, I.P.), foi recentemente destacado pelo jornal Expresso, que descreveu o local como um verdadeiro “cofre ao ar livre” das castas portuguesas.

Atualmente, estão conservadas em Pegões mais de 250 castas autóctones e cerca de 50 mil genótipos. A conservação e estudo deste património são desenvolvidos pela Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira (PORVID), numa colaboração com a CCDR LVT iniciada em 2010, com a criação do Polo Experimental para a Conservação da Variabilidade Genética das Videiras Autóctones.

Cerca de 130 hectares da Herdade de Pegões encontram-se atualmente protocolados com a PORVID para o desenvolvimento deste trabalho, que procura preservar a diversidade existente e, simultaneamente, identificar características que possam ser determinantes para o futuro da viticultura.

«Pegões mostra de forma muito concreta como a preservação do nosso património genético pode estar ligada à ciência, à inovação e ao futuro da agricultura. Temos aqui um trabalho de enorme valor para o país, que importa continuar a valorizar e a criar condições para desenvolver», afirma Teresa Almeida, presidente da CCDR LVT.

Investimento reforça capacidade de investigação

A aposta na Herdade de Pegões foi reforçada através do projeto do PRR — Polo de Inovação para a Conservação e Valorização da Diversidade da Videira. O investimento teve como objetivo aumentar a capacidade instalada e melhorar as condições disponíveis para a experimentação e investigação.

Entre os equipamentos adquiridos no âmbito do projeto estão um trator de aptidão vitícola, uma câmara de frio, uma câmara de forçagem de enraizamento e uma estufa destinada à premultiplicação de materiais genéticos.

Os novos meios permitem apoiar diretamente o trabalho desenvolvido no polo, nomeadamente na conservação, multiplicação, estudo e seleção dos materiais vegetais. Entre as características analisadas estão a resistência a doenças, a produtividade e a capacidade de adaptação das plantas a diferentes condições climáticas.

A preservação desta diversidade assume particular importância num contexto de transformação da atividade agrícola e de crescente necessidade de adaptação da viticultura às alterações climáticas. O conhecimento obtido a partir dos diferentes genótipos poderá contribuir para identificar materiais com características relevantes para uma produção mais resiliente e sustentável.

«O investimento público ganha verdadeiro sentido quando se traduz em capacidade instalada e em melhores condições para produzir conhecimento. Os equipamentos adquiridos através do PRR ficam ao serviço deste trabalho e ajudam a transformar a diversidade que conservamos em conhecimento útil para uma viticultura regional e nacional mais resiliente e competitiva», sublinha Teresa Almeida.

Com a conjugação entre conservação genética, investigação e investimento em infraestruturas, Pegões assume assim um papel estratégico na valorização de um património que constitui uma das principais riquezas da viticultura portuguesa.


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