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Carneiro faz duras críticas a Montenegro durante rentrée política do PS

José Luís Carneiro respondeu às declarações de Luís Montenegro na Festa do Pontal, acusando o primeiro-ministro de criticar o escrutínio jornalístico e de procurar justificar a atuação do Executivo. Na rentrée socialista, em Olhão, o líder do PS afirmou ainda que o Governo tem demonstrado falta de capacidade na resposta a várias crises.

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, endureceu este domingo as críticas ao primeiro-ministro, acusando Luís Montenegro de dirigir ataques ao jornalismo e de apresentar uma visão do desempenho governativo que, na perspetiva dos socialistas, não corresponde à realidade.

As declarações foram feitas durante a rentrée política do PS, em Olhão, dois dias depois de Montenegro ter discursado na Festa do Pontal, também no Algarve.

Na intervenção dos sociais-democratas, o primeiro-ministro criticou aquilo que classificou como uma “espécie de censura moderna”, defendendo que o debate público acaba frequentemente concentrado em polémicas e episódios secundários, enquanto realizações que considera relevantes recebem menor destaque.

Carneiro interpretou essas palavras como uma crítica dirigida a quem escrutina a atuação governativa, em particular aos jornalistas. O líder socialista recordou que já no Pontal de 2025 tinham sido feitas críticas aos meios de comunicação e defendeu a importância de um jornalismo independente para o funcionamento da democracia.

Respondendo também ao balanço positivo apresentado pelo primeiro-ministro sobre a ação do Executivo, Carneiro recorreu à expressão “o rei vai mesmo nu” para contestar a imagem transmitida por Montenegro.

Resposta às crises entre as principais críticas

O secretário-geral socialista apontou vários episódios que, no seu entender, demonstram dificuldades do Governo perante situações de crise. Entre os exemplos mencionados estiveram o apagão de 2025, as tempestades do início deste ano, os grandes incêndios e os problemas relacionados com os exames nacionais.

Carneiro acusou o Executivo de falta de preparação, demora na reação e, em determinadas situações, ausência de sensibilidade perante as dificuldades enfrentadas pela população.

O líder do PS abordou também a anunciada aquisição pelo Estado de uma participação de 13,7% na REN, exigindo esclarecimentos sobre os objetivos da operação e o montante envolvido. Questionou igualmente a posição do Governo relativamente ao negócio entre a Galp e a espanhola Moeve, relacionando o tema com o debate sobre soberania energética.

PS aguarda proposta de Orçamento para 2027

Sobre o Orçamento do Estado para 2027, Carneiro evitou antecipar qual será a posição socialista antes de conhecer a proposta do Governo. Defendeu, porém, que cabe ao Executivo apresentar um documento capaz de responder às principais dificuldades dos portugueses.

Entre as prioridades que o PS pretende levar novamente à discussão orçamental está uma proposta de isenção de mais-valias na venda de imóveis quando estes sejam destinados a habitação própria e permanente, assim como medidas que facilitem o acesso das cooperativas a financiamento nacional e europeu para projetos habitacionais.

Carneiro deixou também uma garantia relativamente às pensões, rejeitando soluções que, segundo afirmou, possam abrir caminho à intervenção de interesses privados no sistema.

O líder socialista defendeu ainda a procura de fontes alternativas de financiamento para investimentos inicialmente enquadrados no PRR, nomeadamente projetos de autarquias e instituições sociais relacionados com escolas, unidades de saúde e equipamentos de apoio às populações mais vulneráveis.

Apesar das críticas ao Executivo, Carneiro afirmou que o PS pretende continuar a contribuir para a estabilidade política, responsabilizando, contudo, o Governo da AD pelo que considera serem fatores de instabilidade e imprevisibilidade na atual situação política.

Na área constitucional, desafiou ainda Montenegro a esclarecer se está disponível para trabalhar com o PS numa eventual revisão da Constituição, salvaguardando princípios que os socialistas consideram fundamentais.


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