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Carne ilegal circulava em rede clandestina nacional

Uma operação da ASAE expôs um circuito ilegal de abate e distribuição de carne em Portugal, com dois matadouros clandestinos desmantelados e mais de duas toneladas de carcaças apreendidas.

Uma investigação da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) trouxe à superfície um esquema ilegal de abate e circulação de carne fora dos circuitos controlados, com ramificações no setor da restauração e do comércio.

A operação, integrada na “Operação Páscoa”, decorreu nas últimas semanas em vários pontos do país e teve como alvo locais suspeitos de prática de abate clandestino, incluindo estabelecimentos de venda de carne e espaços de restauração. As ações foram sustentadas por trabalho prévio de vigilância e recolha de prova.

O resultado confirma a dimensão do fenómeno. Foram instaurados 10 processos-crime por ilícitos contra a saúde pública, diretamente ligados ao abate ilegal de animais, e ainda um processo-crime por posse de arma de fogo sem licença.

No terreno, as autoridades apreenderam 2.200 quilos de carcaças, maioritariamente de ovinos e caprinos, incluindo ainda dois exemplares de equídeos, um dado pouco comum que reforça a gravidade da operação.

O ponto mais sensível da investigação está na descoberta e encerramento de dois matadouros clandestinos, estruturas que operavam fora de qualquer controlo sanitário e que mantinham ligações diretas ao circuito de consumo, nomeadamente à restauração.

A ASAE alerta que este tipo de práticas representa um risco direto para a saúde pública, uma vez que os produtos não são sujeitos a inspeções veterinárias nem a controlo sanitário obrigatório. Na prática, não existe qualquer garantia sobre a qualidade da carne nem sobre a possível presença de doenças transmissíveis ao ser humano.

A ausência de condições básicas nos locais de abate ilegal agrava o cenário. Falhas de higiene, inexistência de controlo alimentar e ausência de fiscalização criam um ambiente propício à contaminação, com consequências potencialmente graves para quem consome estes produtos.

A operação agora divulgada expõe um problema persistente que continua a escapar aos circuitos formais, levantando questões sobre a dimensão real do mercado paralelo de carne em Portugal.


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