Transportes

Caos na Fertagus: é um “serviço que não serve as pessoas”, criticam utentes

A Comissão de Utentes dos Transportes da Margem Sul (CUTMS) denunciou esta quarta-feira, mais uma vez, o agravamento das condições de transporte na Fertagus, acusando a empresa e o Governo de reconhecerem os problemas, mas de não apresentarem soluções concretas para melhorar o serviço.

Num comunicado enviado aos órgãos de comunicação social, a CUTMS relata que, numa reunião realizada a 5 de fevereiro com o Conselho de Administração da Fertagus, foram novamente expostas “as condições indignas” em que “viajam milhares de utentes, sacrificados pelo desinteresse e falta de vontade política”. Consideram a situação “insustentável”, marcada por comboios frequentemente sobrelotados e dificuldades de acesso para os passageiros que diariamente atravessam a Ponte 25 de Abril.

Segundo os utentes, “o governo e a administração da Fertagus reconhecem o insustentável cenário de sobrelotação e a degradação do serviço prestado pela Fertagus”, que, diariamente, coloca “em causa o direito à mobilidade das populações, mas nada fazem para reverter esta situação”.

A comissão conclui que é um “serviço que não serve as pessoas”.

Frota sem reforço desde 1998

Um dos principais pontos apontados pela comissão prende-se com a frota da Fertagus. De acordo com a CUTMS, o número de composições em circulação mantém-se praticamente inalterado desde 1998, apesar do crescimento populacional na Margem Sul e do aumento da procura verificado após a entrada em vigor do passe social, em 2019.

“Atualmente, das 18 unidades existentes, 17 estão em operação contínua, não havendo qualquer margem de manobra para responder a avarias em hora de ponta”, diz a CUTMS.

A situação terá sido agravada pela recente extensão de horários até Setúbal, que não foi acompanhada por um reforço de material circulante. Como consequência, “impede, frequentemente, a entrada dos utentes nos comboios, tornando-se ainda mais grave para utentes com mobilidade reduzida ou carrinhos de bebé em estações como Foros da Amora, Corroios e Pragal, ou Entrecampos, Sete Rios e Campolide (no período da tarde)”.

A empresa adquiriu recentemente duas carruagens à operadora espanhola Renfe, mas a sua entrada em circulação apenas está prevista para o final de 2026 ou 2027.

Para a comissão de utentes, a medida é “claramente insuficiente” face ao atual volume de passageiros. A CUTMS defende ainda que já deveria estar a ser preparado o processo de substituição das atuais composições, tendo em conta a”vida útil” e o tempo estimado — cerca de seis anos — para a entrega de novos comboios.

“Considerando a “vida útil” do material circulante e o prazo previsto para entrega de comboios novos (6 anos), a CUTMS questionou se não se devia começar já a desenvolver o processo para a substituição das atuais composições. A administração da Fertagus concorda, mas diz não ser matéria da sua competência…”, sublinha.

Atrasos e falta de articulação

Outro problema apontado no comunicado é a existência de atrasos frequentes na circulação, associados à redução de velocidade provocada por obras noturnas da Infraestruturas de Portugal na linha ferroviária.

A CUTMS critica também a falta de coordenação entre operadores de transporte e entidades públicas, defendendo que deveriam existir alternativas mais eficazes ao comboio, como o reforço de transportes rodoviários e a criação de faixas BUS a sul e a norte da Ponte 25 de Abril.

“Serviço que não serve as pessoas”

Quase um ano após uma reunião com o gabinete da secretária de Estado da Mobilidade, a comissão afirma continuar sem respostas concretas para os problemas apresentados.

“A concessão, no caos em que se encontra, não serve os interesses de quem trabalha e vive na Margem Sul”, conclui a CUTMS, garantindo que continuará a pressionar o Governo, a Área Metropolitana de Lisboa e as autarquias para que sejam tomadas medidas urgentes que garantam viagens “dignas, fiáveis e com segurança” para os passageiros.


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