Canhões raros resgatados em Esposende: Uma nova luz sobre o naufrágio de Belinho
O Município de Esposende recuperou dois canhões de bronze quinhentistas do naufrágio de Belinho, marcando um passo importante para a preservação do património subaquático português.

O Município de Esposende realizou ontem uma operação histórica ao resgatar, das profundezas do Atlântico, dois canhões de bronze datados do século XVI. Estes artefactos foram encontrados ao largo da praia de Belinho, numa zona conhecida pelos destroços de um naufrágio ocorrido em 2014. A ação decorreu sob condições marítimas favoráveis, algo raro, e envolveu uma equipa de mergulhadores e especialistas em arqueologia subaquática.
As autoridades locais, nomeadamente a Capitania do Porto de Viana do Castelo, a Delegação Marítima de Esposende e o Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, coordenaram os trabalhos, que tiveram caráter de urgência devido à exposição dos canhões ao risco de degradação e roubo. Durante as operações de monitorização, verificou-se que as “bocas de fogo” haviam sido deslocadas pela ação das correntes marítimas e estavam vulneráveis a elementos naturais e atividades ilícitas.
Agora em segurança nas instalações do Município de Esposende, os dois canhões, que repousam em tanques construídos especialmente para a sua preservação desde 2017, passarão por um processo de conservação rigoroso. Este resgate marca um passo fundamental na salvaguarda de peças raras de artilharia, conhecidas como colubrinas oitavadas de bronze, sendo extremamente raras em Portugal e podem oferecer informações valiosas sobre o naufrágio de Belinho e o período histórico em que ocorreu.
A descoberta e o resgate destas peças enquadram-se na Convenção da UNESCO para a Proteção do Património Cultural Subaquático, que defende a preservação “in situ” sempre que possível. Contudo, devido às ameaças iminentes e à importância deste património, optou-se pelo resgate e conservação fora de água.
No dia 23 de setembro, sob condições ideais de visibilidade e ondulação, a equipa de arqueologia subaquática concretizou o resgate, que vinha sendo adiado por falta de condições naturais favoráveis. Este património arqueológico, anteriormente em risco de ser pilhado, encontra-se agora protegido, aguardando uma investigação mais aprofundada.
Além disso, no âmbito das Jornadas Europeias do Património, o Município de Esposende lançou recentemente a publicação “Patrimónios Emersos e Submersos — Do Local ao Global”, onde o naufrágio de Belinho é amplamente discutido. Este evento reforça a importância de divulgar e valorizar o património subaquático junto da comunidade local.
Em declarações, o Serviço de Património Cultural destacou que “um cidadão esclarecido é um cidadão ativo”, sublinhando o impacto que este tipo de ações tem na sensibilização pública para a proteção do património.
A recuperação dos canhões é um marco na investigação arqueológica subaquática em Portugal, oferecendo a possibilidade de novas descobertas e enriquecendo o acervo histórico do município. Esposende continua a liderar esforços na valorização e partilha de património cultural com a sua comunidade.
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