Opinião

Câmaras, para que vos quero?

Luzes, câmara, ação. Em Setúbal é mais, sem luzes (na rua), sem câmaras (na rua), com muita ação (na rua). É assim o cinema na cidade banhada pelo Sado.

Vamos escolher um género cinematográfico para ver por cá. Comédia? Pode ser, mas depende do estado de espírito. Ação? Certamente. Crime? Afirmativo.

Setúbal nunca foi uma cidade conhecida por ser segura. Drogas, assaltos, prostituição sempre foram adereços presentes no cenário sadino, de cortinas encarnadas a emoldurá-lo.

Nos últimos tempos, a combinação de ação com crime, tem dado vida a histórias reais, com muitos espectadores. Esta última parte não sei se será tão verdade assim. Se as pessoas andassem de olhos bem abertos, já tinham pedido mais daquilo que tenho para dizer, já se tinham chateado mais. Será medo? Será ignorar o óbvio?

Assim como assim, a escolha não é muita, este é o tipo de filme que a cidade setubalense tem para nos apresentar. Numas zonas mais do que noutras, a falta de vigilância parece cada vez mais ser um grave problema. Podemos abordar o escasso policiamento e fiscalização, mas o que já devia ter sido implementado, até mesmo para ajudar nos dois mencionados, são as câmaras de vídeo-proteção. E reforço a palavra “proteção”.

Em Portugal, o uso de câmaras em áreas urbanas tem crescido como uma medida para combater a criminalidade, sobretudo nas maiores cidades, como Lisboa e Porto, em zonas de elevado fluxo populacional. No entanto, ainda existem muitas cidades que não as adotaram.

É o caso de Setúbal, capital do distrito que se encontra em 2.º lugar em matéria de aumento de criminalidade, de 2022 para 2023, segundo o mais recente RASI (Relatório Anual de Segurança Interna). É também a capital do distrito que está em 4.º lugar no que toca ao aumento da criminalidade violenta e grave. Há assim tantos espetadores satisfeitos com a atual oferta de filmes?

O top 3 cidades com mais criminalidade do distrito são Almada, Setúbal e Seixal. E não são sensações ou suposições, são os dados que nos dizem isto mesmo. Lojas assaltadas na baixa setubalense e rixas entre jovens são uma realidade inequívoca, que é noticiada pelos jornais locais. Não podemos ficar indiferentes.

Por querermos mais segurança, devíamos levar a debate urgente e imperativo a implementação de câmaras de proteção. Por mim até podemos saltar mesmo a parte do debate, e começar já a trabalhar.

Estudos e análises (até por experiências realizadas noutros países) dizem que este uso aumenta a segurança, nomeadamente porque: tem um efeito desencorajador, prevenindo crimes como furtos, vandalismo e assaltos; reduz crimes oportunistas em zonas comerciais e em veículos; serve de apoio na investigação e resolução de crimes através de imagens e do reconhecimento de padrões por meio das gravações, facilitando apanhar redes de crime organizado; há uma resposta mais rápida e eficiente em coordenação com as forças de segurança; há mais proteção de zonas turísticas e de diversão noturna, normalmente identificadas como zonas menos seguras e com isso, é claro, surge a melhoria da sensação de segurança das pessoas.

Podemos até mesmo olhar para tópicos menos óbvios. É que esta implementação ajuda também na monitorização do trânsito e até na prevenção de infrações rodoviárias, melhorando a circulação nas cidades, algo que também muitas pessoas veem como negativo, pelo tempo perdido em deslocações.

Jovens e menos jovens, todos temos o direito de andar na rua, sobretudo se formos sozinhos, sem sentirmos uma sombra, sem olharmos por cima do ombro, sem temer o pior. Podemos gostar de ver dramas no grande ecrã, mas não queremos que a nossa vida seja um. Não é suposto tomarmos decisões com base na insegurança, com base em ter de andar em grupo, com base em não ser aconselhado andarmos a pé porque o sol já se pôs.

Uma cidade que se quer para viver, formar família, assentar, tem de dar às pessoas o principal: razões para ficar. E essa estabilidade passa também pela segurança.

Só há motivo para não se investir neste tipo de equipamento, se houver filmes pagos, com crime organizado, que seja aborrecido para alguns desmantelar. Vamos assumir que não. Câmaras, quero-vos o mais rápido possível pela segurança de todos.

Marta Raimundo, vice-presidente da Juventude Popular de Setúbal e dirigente nacional da Juventude Popular


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