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Câmara de Mértola critica silêncio do Governo sobre possível campo de tiro no concelho

Autarquia lamenta ausência de respostas oficiais e contrapõe impacto ambiental e cinegético à hipótese de relocalização do campo da Força Aérea Portuguesa

A Câmara de Mértola criticou a falta de respostas do Governo aos seus pedidos de esclarecimento sobre a possibilidade de o concelho vir a ser considerado como alternativa ao Campo de Tiro de Alcochete da Força Aérea Portuguesa (FAP).

O presidente do município, Mário Tomé (PS), afirmou à agência Lusa que “criticam firmemente esta ausência de respostas do Governo aos constantes pedidos que enviámos para perceber se Mértola está ou não a ser considerado como alternativa a Alcochete para acolher o Campo de Tiro”.

Desde novembro do ano passado, a autarquia tem efetuado diligências, incluindo pedidos formais de audiências aos ministérios da Defesa Nacional e das Infraestruturas, assim como contactos diretos com as Forças Armadas, visando obter informação concreta e fidedigna sobre o projeto. No entanto, até ao momento, não recebeu “qualquer comunicação oficial ou esclarecimento formal” por parte do Governo ou das entidades competentes.

Na sequência destas ausências, a Câmara Municipal de Mértola considera a situação “grave do ponto de vista institucional e profundamente negativa pelo impacto que a ausência de informação tem na tranquilidade das populações e na confiança no processo”.

Mário Tomé salientou as importantes características ambientais do concelho, incluindo a reintrodução plena do lince ibérico, a existência do Parque Natural do Vale do Guadiana e o facto de Mértola ser a capital nacional da caça. Questionou se “alguém considera que [equacionar Mértola para instalar o campo de tiro] é defender o ambiente e o setor cinegético” e contrapôs que “isto é acabar com o mundo da caça e com a aposta que se tem feito em termos ambientais”.

Como exemplo do investimento ambiental no território, referiu a Estação Biológica de Mértola, cujo custo se aproximou de quatro milhões de euros.

A autarquia frisou que “um eventual projeto, pela sua dimensão e sensibilidade, não pode ser tratado à margem do poder local, nem decidido sem informação clara, diálogo institucional e envolvimento do território e das comunidades que nele vivem”.

O presidente da Câmara manifestou-se determinado a evitar “custos desnecessários deste processo” e exigiu que o Governo responda aos ofícios enviados, advertindo que “em Mértola, nunca será possível instalar o Campo de Tiro, porque os mertolenses nunca o vão permitir. Não gastem dinheiro desnecessariamente”.

Em 19 de fevereiro do ano passado, as câmaras de Serpa e Mértola e a Associação de Defesa do Património de Mértola manifestaram-se contra uma possível transferência do Campo de Tiro de Alcochete para a região do Alentejo, apesar do Governo ter garantido que não havia uma decisão tomada.

Na altura, o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, declarou que ainda não existia decisão sobre a relocalização do campo e que as autarquias seriam ouvidas nesse processo.


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