A Câmara Municipal de Almada prolonga a situação de alerta no concelho, decretada inicialmente em 05 de fevereiro, devido à persistência do perigo de deslizamentos de terras nas arribas da Costa da Caparica e de Porto Brandão.
A situação de alerta foi renovada com base nos pareceres do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que indicam que “o risco não acabou”, conforme explicou a presidente da Câmara, Inês de Medeiros, durante uma reunião com moradores destas zonas afetadas que tiveram de abandonar as suas casas.
Desde o início das tempestades registadas entre o final de janeiro e início de fevereiro, Almada sofreu vários deslizamentos nas arribas, situação que ainda não foi superada e que continua a ser monitorizada permanentemente, tanto através de satélite com o programa Copernicus, como por drones e marcadores colocados no terreno.
“Desde o espaço, ar e terra estamos a vigiar toda a área, mas isto não significa que se impeça um desabamento”, salientou a autarca, ao insistir que “o perigo nas arribas e vertentes não passou”.
O LNEC recomenda inspeções diárias ao topo da arriba fóssil da Costa da Caparica para identificar potenciais movimentos iminentes e gerir a necessidade de evacuação de novas habitações.
Após as inspeções, a reocupação das casas evacuadas só deve acontecer se estiverem garantidas as condições de estabilidade da arriba.
Considerando provável a ocorrência de movimentos de vertente, sobretudo após episódios intensos e prolongados de precipitação, o LNEC sugere estudar soluções urbanísticas que delimitem zonas interditas à construção na área junto ao pé da arriba.
O instituto propõe ainda a adoção de soluções definitivas de estabilização da arriba fóssil, controlo de quedas de blocos com valas de retenção, instalação de barreiras dinâmicas e construção de muros de espera.
Um relatório da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, datado de 27 de fevereiro, aconselha a continuidade da monitorização da zona ao longo do tempo, uma vez que é expectável a persistência de movimentos de massa durante as fases de drenagem, secagem e perda gradual de água nos solos.
No concelho de Almada, 502 pessoas ficaram desalojadas devido aos deslizamentos, distribuídas por Azinhaga dos Formozinhos (359), Costa de Caparica (109) e Abas Raposeira, Fonte Santa e 2.º Torrão (34).
Destes, 230 foram acolhidos pela autarquia em alojamentos hoteleiros, dos quais 147 permanecem ainda alojados, incluindo 95 da Azinhaga dos Formozinhos, 35 da Costa da Caparica e 17 de outras zonas.
Em Portugal, dezoito pessoas morreram devido às depressões Kristin, Leonardo e Marta, que causaram desalojamentos, feridos, destruição parcial ou total de casas, quedas de árvores e estruturas, além de cortes de energia, água e comunicações.
As regiões mais afetadas foram o Centro, Lisboa e Vale do Tejo e o Alentejo.
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