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Cabanas chama o distrito para quatro dias de festa

A Festa de São Gonçalo regressa a Cabanas, no concelho de Palmela, entre 14 e 17 de maio, com um programa que junta música, tradição religiosa, associativismo e uma nova geração à frente da organização. A comissão assume limitações financeiras, mas garante uma edição “digna” e apostada em preservar uma celebração com forte raiz local.

Cabanas prepara-se para voltar a encher-se de gente, música e tradição com o regresso da Festa de São Gonçalo, marcada para os dias 14, 15, 16 e 17 de maio, no Parque das Merendas de São Gonçalo. A apresentação do programa serviu para mostrar mais do que um cartaz. Mostrou uma comunidade mobilizada em torno de uma celebração que a organização descreve como parte da identidade da terra e como um ponto de encontro entre memória, fé e futuro.

A mensagem deixada pela nova equipa dirigente foi clara: a festa quer manter a tradição, mas também abrir espaço à renovação. A associação destaca a entrada de jovens na estrutura organizativa como um sinal de continuidade e, ao mesmo tempo, de inovação. A ideia é preservar a herança transmitida pelas gerações mais velhas, sem deixar a festa parada no tempo.

Ao longo da apresentação, a organização, através do presidente da associação, Paulo Canato insistiu no peso cultural e simbólico da celebração. A devoção a São Gonçalo, a procissão, a missa e o convívio popular foram apontados como elementos centrais de uma festa que, em Cabanas, ultrapassa o mero cartaz de animação. A comissão defende que o evento é um património vivo da comunidade, sustentado por voluntariado, apoio local e uma forte ligação entre moradores, comércio e instituições.

Esse apelo à tradição foi reforçado com uma evocação histórica da festa e da sua ligação à Quinta-feira da Espiga, data em que, segundo a narrativa local recordada na sessão, os cabaneiros assinalam São Gonçalo há várias gerações. A organização sublinhou que esta dimensão religiosa e popular continua a ser um dos pilares da identidade da celebração.

Mas houve também espaço para a realidade menos romântica. O presidente da associação admitiu que o programa apresentado não corresponde, por inteiro, à ambição da organização. O orçamento global desta edição ronda os 26.500 euros, valor que obrigou a escolhas e contenção, sobretudo na contratação artística. Ainda assim, defendeu que o resultado final é digno e capaz de responder às expectativas do público.

Entre os apoios já assumidos, foi confirmado um contributo financeiro de 2.000 euros da Junta de Freguesia, a que acresce apoio logístico. Do lado do município, foi transmitida a ideia de reforço do investimento no movimento associativo, num contexto que a vice-presidente da Câmara de Palmela, Fernanda Pézinho, classificou como exigente, mas em que o executivo decidiu aumentar o esforço dirigido às associações. Fernanda Pézinho adiantou que o município de Palmela irá participar com um apoio de cerca de 4 mil euros e o apoio logístico.

Também o presidente da Junta de Freguesia de Quinta do Anjo, Nuno Valente, destacou a importância destas iniciativas para o território, sublinhando que a festa “tem tradição” e reúne condições únicas, desde a localização ao envolvimento da população. O autarca manifestou expectativa de que a edição deste ano acompanhe o sucesso recente de outros eventos da freguesia, defendendo que o crescimento destas iniciativas depende da capacidade de mobilizar não só os residentes, mas também visitantes de fora.

Nuno Valente reforçou ainda que o apoio da Junta vai além do financiamento direto, incluindo logística e incentivo ao movimento associativo. Defendeu que as associações devem manter iniciativa própria ao longo do ano, apontando o associativismo como um dos pilares da coesão local. “O legado é aquilo que deixamos”, sublinhou, numa mensagem dirigida sobretudo às gerações mais jovens envolvidas na organização.

A organização diz ainda ter sentido uma boa receção da população durante as ações de contacto no terreno e revela que houve forte procura de feirantes para esta edição. O recinto deverá ter ajustes face a anos anteriores, com mais bancas e uma reorganização do espaço, embora condicionada pelas características do local.

No plano artístico, o cartaz distribui-se pelos quatro dias de festa. A inauguração está marcada para 14 de maio, às 20h30, seguindo-se Fernando Correia Marques, às 21h30. No dia 15 atuam Deixa Rolar, às 21h30, e Manoel Marques, às 23h30. A 16 de maio sobem ao palco o Grupo Cantares de Cabanas, Pedro Miguel e DJ Monchique. Já no último dia, 17 de maio, o programa inclui Passeio pela Serra, procissão, missa, leilão tradicional, além dos concertos de Putos do Rock e Chana Carvalho, antes do encerramento.

Além da música e do convívio, a festa volta a afirmar-se como um espaço de encontro entre gerações. Esse foi, de resto, um dos pontos mais sublinhados pelas entidades presentes, que destacaram o papel do associativismo, da cultura popular e da participação cívica na vitalidade das localidades. Em Cabanas, a aposta passa por garantir que a tradição não se perde, mas também que encontra quem a continue.

No essencial, é esse o desafio desta edição: fazer muito com recursos limitados, manter a marca religiosa e comunitária da festa e provar que, numa terra pequena, a dimensão de um evento nem sempre se mede pelo orçamento. Por vezes mede-se pela capacidade de mobilizar uma população inteira em torno daquilo que a distingue.


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