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Bruno Barreto: o lisboeta que abraçou Madrid para lançar a “Era” mais pessoal da sua carreira

Bruno Barreto, artista português radicado em Madrid, estreia a sua “Era” mais pessoal com o single “So Many Dreams / In My Dreams”, onde assume pela primeira vez total liberdade criativa e uma identidade visual e musical profundamente sua.

cantor e performer português Bruno Barreto, hoje radicado em Madrid, está a iniciar uma fase totalmente nova da sua carreira. O single “In My Dreams” marca o arranque de uma “Era” que descreve como a sua primeira apresentação verdadeiramente autoral. Depois de experiências televisivas como High School Musical Portugal e Got Talent Espanha, o artista lança-se agora num projeto profundamente pessoal, visualmente ambicioso e musicalmente ligado à eletrónica, disco e synthpop.

Esta Era representa uma verdadeira introdução do meu Eu artístico”, explica, sublinhando que durante anos trabalhou em projetos que não eram seus de raiz. A vontade de se expressar sem filtros falou mais alto: “Sempre quis embarcar num projeto ligado à música electrónica, disco, synthpop, pop alternativo — e esta Era estará cheia disso.”

Um tema nascido no quarto — e de conversas sobre a vida moderna

O tema que abre este novo capítulo surgiu num ambiente intimista, como conta:
Este tema nasceu no meu quarto, como quase todos. Veio da raiz de conversas com várias pessoas… sentia que todos tínhamos dois sentimentos em comum: deceção e confusão.” O resultado é um tema reflexivo, “quase niilista, mas sempre com esperança”, uma luz ao fundo do túnel que atravessa toda a composição.

O processo, porém, foi longo. A música passou por vários produtores e fases criativas. O primeiro produtor vivia em Cádis; depois contou com ajuda de amigos para arranjos vocais; só no início de 2024 encontrou a pessoa certa para fazer a masterização e o mix final.

Foi emocionalmente exaustivo… queria que tivesse sido mais rápido, mas às vezes as oportunidades chegam quando têm de chegar e não quando queremos.”

Um videoclipe inspirado no início dos anos 2000, ficção científica e crítica social

Visualmente, Bruno sabia exatamente o que queria. A estética do videoclipe é uma fusão de nostalgia e futurismo minimalista.

A estética evoca o final dos anos 90 e início dos 2000, quando consumíamos media pela TV, rádio, CDs e cassetes”, explica, uma época de otimismo tecnológico e promessa de futuro. Ao mesmo tempo, quis trazer referências “de ficção científica, um mundo pós-industrial, quase distópico, mas minimalista”. perguntas_bruno_barreto

O vídeo está repleto de símbolos e críticas subtis ao presente, numa dança entre luz e sombra — literalmente.
Queria transmitir nostalgia, mas não viver dela… e transmitir esperança e uma ‘good vibe’.”

Valência, calor, maquilhagem feita à mão e… horchata: os bastidores

A gravação decorreu em Valência, num ambiente que o artista descreve como um dos melhores da sua vida. Escolheu o realizador Marcoo após várias reuniões online, e só o conheceu presencialmente no dia da rodagem.

Houve uma sinergia imediata. Todos queriam ajudar e não viam o vídeo como mais um trabalho, mas como um projeto que acreditavam tanto como eu.” perguntas_bruno_barreto

Entre cenas gravadas com mais de 30º de sensação térmica e humidade intensa, Bruno teve de aprender a fazer a sua própria maquilhagem:

Sempre pensei que fosse um zero à esquerda, mas afinal descobri um outro lado de mim.” O realizador, além disso, revelou-se “o melhor guia turístico, porque bebemos horchata e almoçámos nos sítios mais tradicionais valencianos.”

Liberdade criativa total: o privilégio (e o peso) de ser um artista independente

Bruno assume cada detalhe do projeto: direção artística, estética visual, música e comunicação.

Sou artista emergente e independente, não tenho ninguém a financiar a minha carreira… mas isso dá-me liberdade total de escolha.”

O objetivo agora é claro: lançar um EP, previsto para 2026, e consolidar a sua identidade visual e musical.

O EP vai sair!”, garante com entusiasmo.

Das experiências televisivas ao crescimento artístico

A carreira de Bruno começou cedo. Participou em High School Musical Portugal e mais tarde no Got Talent Espanha, com o grupo All4Gospel. Ambas as experiências foram cruciais.

A minha primeira experiência profissional — levo tudo!”, recorda sobre o HSM. Sem aulas de canto, dança ou representação, encontrou ali uma verdadeira “Escola de Artes Performativas”.

Sobre o Got Talent, diz que ajudou a mostrar ao público espanhol que “neste país também se pode fazer bom Gospel” e abriu portas para novas atuações e públicos.

Portugal, Lisboa e Madrid: três geografias, uma identidade

Apesar de viver há vários anos em Madrid, Bruno sente-se mais português do que nunca.

Vivo a minha ligação com Lisboa e Portugal ainda mais intensamente estando fora. Tornei-me um embaixador. Digo sempre com orgulho que sou português.”

Madrid, por sua vez, tornou-se casa e inspiração — sobretudo pela vida emocional intensa que ali viveu.

Foi aqui que me apaixonei verdadeiramente pela primeira vez… não há nada mais dramático do que atirares o telemóvel ao chão em plena Plaza Mayor numa discussão com o teu namorado, muito Almodovariano.

A cidade influencia a sua escrita, a sua estética e o seu universo musical, mais cosmopolita e eletrónico.

Planos: concertos, colaborações e ambições para 2026

Bruno está a construir um repertório sólido, com vontade de atuar em Portugal, Espanha e no resto da Europa, especialmente em países onde a música eletrónica é bem acolhida.

Em relação a colaborações, o artista não esconde a ambição:

Posso sonhar? James Ford, SG Lewis, Disclosure, Dev Hynes… e adorava trabalhar com as Sugababes.” Também manifesta interesse em colaborar com artistas portugueses, destacando o músico Alex D’Alva.

A mensagem para quem o apoia

Não fazem ideia do alento que me dão”, diz. Para um artista independente, saber que a música chega ao público é o maior combustível.

E sobre como quer que o público interprete o single:

Como uma reflexão séria sobre o que vivemos hoje, mas não de forma negativa. Há esperança. Sou crente de que somos construtores da nossa própria realidade.


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