Bombeiros de Lisboa dizem que é «insustentável» suportar aumento dos combustíveis
Federação exige ao Governo medidas de compensação e uma revisão estrutural do modelo de financiamento das Associações Humanitárias
A Federação dos Bombeiros do Distrito de Lisboa (FBDL) considera «insustentável e inaceitável» que as Associações Humanitárias continuem a suportar os sucessivos aumentos dos combustíveis. A estrutura exige, por isso, medidas concretas por parte do Governo.
Numa nota de imprensa enviada à redação na noite do último sábado, 12 de setembro, a Federação alerta para o impacto dos preços nas contas das associações. Segundo a FBDL, os aumentos continuam a ser «integralmente suportados» pelas estruturas, sem uma «resposta proporcional por parte do Estado».
Para os bombeiros, o combustível representa uma despesa impossível de adiar ou reduzir. «É uma condição essencial para salvar vidas», sublinha a Federação.
Todos os dias, ambulâncias, veículos de combate a incêndios e viaturas de desencarceramento têm de permanecer disponíveis. Assim, sempre que os combustíveis aumentam, sobe também o custo de manter os meios operacionais.
No entanto, a FBDL alerta que o financiamento não acompanha a subida das despesas. «O problema é que os mecanismos de financiamento das Associações Humanitárias não acompanham, à mesma velocidade, a subida dos custos de funcionamento», refere.
Mais gastos com combustível retiram dinheiro a outras áreas
Além dos combustíveis, as associações enfrentam outros encargos. Entre eles estão a energia, manutenção de viaturas e equipamentos, seguros, instalações e recursos humanos.
Nesse sentido, a Federação considera que «o atual modelo de financiamento tem de ser urgentemente revisto». Para a FBDL, devem existir mecanismos que acompanhem a evolução real dos custos suportados pelas entidades de proteção e socorro.
A subida dos combustíveis acaba também por afetar outras áreas. Segundo a Federação, quando uma associação gasta «mais milhares de euros por ano em combustível», esse dinheiro tem de sair de outras rubricas.
Assim, podem ficar condicionadas a manutenção de viaturas, a compra de equipamentos e a formação. A FBDL aponta ainda o investimento em instalações e a capacidade de renovação das frotas.
Federação exige revisão do financiamento
Perante esta situação, a Federação pede ao Governo uma «posição clara» e «medidas concretas e estruturais». Além disso, rejeita que a resposta passe apenas por soluções de emergência quando a situação financeira de uma associação se torna crítica.
A FBDL considera também existir «uma contradição que tem de ser ultrapassada». Segundo a estrutura, o Estado exige elevados níveis de prontidão e capacidade operacional aos bombeiros. Porém, «não assegura necessariamente o financiamento correspondente ao custo real dessa disponibilidade».
«Não é possível exigir que um corpo de bombeiros mantenha viaturas prontas, equipas disponíveis e capacidade de resposta permanente» e esperar que absorva sucessivos aumentos dos custos, sustenta a Federação.
Entre as reivindicações está a atualização dos mecanismos de financiamento de acordo com os custos operacionais. A Federação pede ainda compensações específicas quando a subida dos combustíveis tiver um impacto significativo nas contas das corporações.
Além disso, exige uma revisão estrutural do modelo de financiamento dos bombeiros. A FBDL quer também que os apoios públicos tenham em consideração os custos reais de operação e manutenção das frotas de emergência.
Por fim, reclama um compromisso político de médio e longo prazo. O objetivo é permitir às associações planear investimentos, renovar viaturas e equipamentos e garantir a capacidade operacional.
A Federação apela, assim, ao Governo para que passe «das palavras aos atos» e adote medidas que garantam a sustentabilidade das Associações Humanitárias de Bombeiros.
«Quando uma ambulância sai para uma emergência, o combustível não pode ser uma questão financeira. Tem de estar lá», conclui a FBDL.
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