O Benfica e o GDESSA Barreiro disputam este domingo, 27 de setembro, a Supertaça Feminina de Basquetebol 2026, em Almada. A formação barreirense procura conquistar o primeiro troféu da nova época frente às tricampeãs nacionais, a partir das 16h00, no Complexo Municipal dos Desportos Cidade de Almada, com transmissão em direto e de forma grauita na DAZN, mediante a criação de uma conta na plataforma.
Para o GDESSA, o encontro representa também o regresso a uma final frente ao Benfica. As duas equipas decidiram a Taça de Portugal em março, com as encarnadas a vencerem por 76-56. A formação do Barreiro terminou ainda a última temporada nas meias-finais do campeonato.
Presidente do GDESSA não estará presente em protesto
Fora das quatro linhas, a Supertaça fica também marcada por uma tomada de posição do GDESSA. Segundo avançou A Bola, com base num comunicado oficial do clube, o presidente não estará presente no encontro em representação institucional.
A direção considera a ausência «simbólica», mas deliberada, e adianta que esta será a primeira de várias tomadas de posição previstas para as próximas semanas.
Em primeiro lugar, o clube contesta a forma como a Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB) conduziu aquilo a que chama «Caso Selecionador Nacional», durante os meses de março, abril, maio e junho. A polémica remonta a junho, quando o GDESSA anunciou a saída de Maianca Umabano para o Benfica e referiu que a equipa encarnada seria «liderada pelo Selecionador Nacional, Ricardo Vasconcelos».
Na altura, A Bola noticiou que ainda não era conhecida a saída de Eugénio Rodrigues, nem que Vasconcelos assumiria o comando das encarnadas, acrescentando que a situação provocou «espanto e desagrado» no Benfica.
«A gestão deste processo prejudicou gravemente o basquetebol nacional, comprometeu a preparação da Seleção Nacional Feminina e feriu princípios fundamentais de honorabilidade e verdade desportiva», acusa o GDESSA.
O caso envolve Ricardo Vasconcelos, atual treinador do Benfica e anterior selecionador nacional feminino. Além disso, o clube do Barreiro contesta a forma como a FPB promoveu a Supertaça deste domingo.
Segundo o GDESSA, a Federação promoveu «repetidamente elementos do staff e atletas da equipa adversária», enquanto omitiu inicialmente as atletas e a equipa técnica barreirense. A direção afirma que apenas depois de vários protestos conseguiu garantir «o mínimo de igualdade de tratamento».
Apesar da contestação, a equipa participa normalmente na Supertaça.
Miguel Minhava: «Não são os orçamentos que ganham jogos»
Em declarações exclusivas ao Diário do Distrito, Miguel Minhava, treinador do GDESSA reconheceu a dificuldade da primeira partida oficial da temporada, sobretudo perante o investimento realizado pelo adversário.
«O Benfica este ano deve ter um investimento único na história do basquetebol feminino. Acho que isso é bom para o desporto feminino, haver quem invista», afirmou.
O técnico destacou ainda a presença de várias internacionais portuguesas e de jogadoras estrangeiras no plantel encarnado. Ainda assim, acredita que a diferença de recursos não decide antecipadamente o encontro.
«Vai ser um desafio grande, mas, enquanto eu andar no desporto, acredito que não são os orçamentos que ganham jogos», salientou.
Apesar de admitir que «não vai ser fácil», Minhava garante que o GDESSA vai «entrar com tudo e tentar ganhar». O treinador revelou também que a equipa teve uma «pré-época um bocadinho acidentada», mas considera que conquistar a Supertaça representaria «um estímulo importante» para o arranque da temporada.
«O Barreiro é uma terra de basquetebol»
A proximidade entre Almada e Barreiro poderá também levar adeptos do GDESSA ao Complexo Municipal dos Desportos. Contudo, Minhava considera que a localização não representa propriamente uma vantagem para nenhuma das equipas.
«O Benfica passa a ponte e está em Almada, nós andamos um bocadinho e estamos em Almada. Acho que por aí também não há uma grande diferença», explicou.
Por outro lado, o treinador espera uma forte presença dos adeptos barreirenses nas bancadas. «O Barreiro, é uma terra de basquetebol», sublinhou, antes de deixar o apelo: «Espero que compareçam no maior número possível para nos ajudarem, porque toda a ajuda é bem-vinda.»
Minhava recordou ainda que o GDESSA já contou com um forte acompanhamento dos seus adeptos em outras decisões e espera repetir esse cenário este domingo.
Benfica admite estar longe da melhor versão
Do outro lado, Ricardo Vasconcelos prepara a primeira decisão desde que assumiu o comando técnico do Benfica. O treinador admitiu à BTV que existe ainda bastante desconhecimento sobre as duas equipas, uma vez que praticamente não existem jogos oficiais que permitam analisar os respetivos modelos coletivos.
Por isso, a preparação encarnada passou por «um estudo exaustivo de cada jogadora» do GDESSA. Vasconcelos explicou que o Benfica procurou identificar os pontos fortes e mais frágeis das adversárias e perceber onde poderá criar dificuldades à formação do Barreiro.
O técnico reconheceu, contudo, que o novo Benfica ainda está em construção: «Obviamente que estamos longe da nossa melhor versão», afirmou, apesar de considerar «bastante positivo» o trabalho realizado até ao momento.
Além disso, Vasconcelos espera apoio nas bancadas em Almada. O treinador destacou que «o número de Benfiquistas é enorme» e defendeu que a presença dos adeptos poderá ajudar a equipa sobretudo nos momentos de maior dificuldade.
Supertaça marca despedida de Armindo Pereira após 42 anos
A Supertaça terá ainda um significado especial para Armindo Pereira, que termina este sábado um ciclo de 42 anos como presidente da Associação de Basquetebol de Setúbal (AB Setúbal).
Em declarações à Federação Portuguesa de Basquetebol, o dirigente destacou a ligação da região à modalidade e à organização de grandes competições.
«O distrito de Setúbal continua a ser uma referência do basquetebol nacional. A realização da Supertaça vem ao encontro da nossa identidade de colaborar com a Federação Portuguesa de Basquetebol na organização de grandes eventos», afirmou.
Armindo Pereira garante que a direção da associação está empenhada em fazer da Supertaça «um verdadeiro êxito». O encontro entre Benfica e GDESSA será, assim, um dos últimos grandes acontecimentos associados ao seu mandato.
Na despedida, o dirigente recordou também as mais de quatro décadas dedicadas à modalidade. «Aqui passei muito tempo da minha vida, fiz amigos, muitos dos quais me acompanharão para sempre», afirmou, deixando ainda um agradecimento aos clubes e às várias direções que o acompanharam.
Inês de Medeiros destaca condições de Almada
Também a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, destacou a escolha do concelho para receber a XLI Supertaça Feminina.
Em declarações à FPB, a autarca lembrou que «Almada tem tido, desde há vários anos, uma larga história de acolher grandes eventos desportivos». Entre os exemplos está um encontro de qualificação para o EuroBasket 2025 entre Portugal e Eslovénia, disputado no mesmo complexo.
Segundo Inês de Medeiros, a realização destas competições permite não só promover a prática desportiva, mas também atrair atletas, adeptos e equipas técnicas, com impacto na hotelaria, restauração e comércio local.
No caso da Supertaça Feminina, a autarca realçou ainda a importância de dar visibilidade ao desporto feminino. «Tínhamos todas as razões para o querer acolher», afirmou.
A presidente da Câmara aponta as condições do Complexo Municipal dos Desportos, a localização de Almada na Área Metropolitana de Lisboa e a qualidade das equipas técnicas municipais como fatores que ajudam a explicar a realização regular de competições da FPB no concelho.
A partida enquadra-se também na estratégia municipal para aumentar a prática desportiva. O Plano Estratégico de Desenvolvimento Desportivo de Almada, aprovado em 2024 e com horizonte até 2030, estabelece uma meta de crescimento de 10%.
Por fim, Inês de Medeiros deixou um convite a quem se deslocar ao concelho para assistir ao encontro: «Almada é um concelho fantástico para qualquer pessoa que nos visite».
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