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Beatriz Almeida: a voz, a palavra e a música de uma geração em descoberta

Depois do Ídolos e do lançamento de “Roupa Suja”, a cantora e compositora aposta numa carreira autêntica e sem pressas, marcada pela emoção e pela simplicidade.

Aos 26 anos, Beatriz Almeida é um dos novos rostos da música portuguesa que chega ao público com uma mistura de doçura, autenticidade e coragem artística. Nascida e criada em Braga, onde estudou violoncelo e música, mudou-se para Lisboa aos 17 anos para estudar Teatro. Mais tarde, seguiu-se um mestrado em Tradução – mas o seu verdadeiro palco tem sido o das canções e da expressão artística. “Hoje em dia procuro juntar as três artes em tudo o que faço. O meu maior objetivo é viver da voz, da palavra e da música”, confessa.

A cantora e compositora começou a ganhar visibilidade com a sua participação no programa Ídolos, onde consolidou certezas: queria cantar em português, queria incluir o violoncelo na sua carreira e queria, acima de tudo, viver da sua voz. “O Ídolos foi muito importante para eu perceber o que realmente queria. Senti que era o início de um caminho interior”, recorda.

Recentemente, Beatriz lançou o single “Roupa Suja”, um tema nascido de um desafio de escrita criativa orientado por Luísa Sobral. O exercício – escrever uma história inspirada num postal aleatório – deu origem a uma narrativa sobre o fim de uma relação, celebrada em vez de lamentada. “Pensei: e se eles estiverem a celebrar um divórcio? Quis explorar a ideia de festejar o fim de um ciclo e dar as boas-vindas a outro, inevitavelmente da perspetiva da mulher”, explica. O resultado é uma canção leve, divertida e libertadora, com espaço para ironia e reflexão.

Apesar de estar ainda no início do seu percurso, Beatriz vê em cada canção um passo no seu crescimento pessoal e artístico. “Este é apenas o meu segundo single, e sinto que ainda estou a tentar encontrar-me. Mas percebi que consigo fazer canções animadas e não só nostálgicas ou românticas. Isso incentivou-me a continuar a criar”, diz.

Entre a música, o teatro e a tradução, a artista procura um equilíbrio entre expressão e introspeção. “Os meus maiores desafios são muito interiores – a gestão da ansiedade e das expectativas. A nossa área é instável e é preciso estrutura para lidar com isso”, admite, com uma maturidade que contrasta com a leveza da sua presença.

Representada pela produtora Jane Doe, Beatriz Almeida não sente pressa em lançar um álbum. Prefere deixar que o tempo dite o ritmo: “Quero continuar a lançar temas, um de cada vez. Não tenho um calendário imposto, e isso dá-me liberdade criativa.”

Sobre o futuro, é prudente, mas confiante: “Podem esperar uma Beatriz com um compromisso gigante em crescer e evoluir enquanto artista e pessoa. Quero continuar a escrever, a fazer música e a descobrir as cartas que o futuro tem para mim.”

Em tempos em que a autenticidade é cada vez mais rara, Beatriz Almeida surge como uma voz serena e verdadeira, que não precisa de pressa para se fazer ouvir – apenas de espaço para continuar a ser.


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