PolíticaSines

BE contesta refinaria de antimónio em Sines e pede suspensão do projeto

Bloco de Esquerda alerta para riscos ambientais e de saúde pública e exige maior transparência sobre a futura unidade industrial.

BE quer travar reconhecimento de refinaria de antimónio em Sines como PIN

O Bloco de Esquerda (BE) manifestou oposição à instalação de uma refinaria de antimónio em Sines, anunciada pelo Governo através da AICEP Global Parques, e defende a suspensão do processo de reconhecimento como Projeto de Interesse Nacional (PIN).

O partido considera, pois, que o investimento pode ter impactos ambientais e sociais significativos e reclama maior transparência sobre os objetivos e o destino do metal que será refinado na unidade.

Num comunicado, o BE refere que o antimónio é um metal considerado estratégico para diversas indústrias, incluindo os setores tecnológico e da defesa. O partido enquadra o projeto no atual contexto internacional, marcado pela crescente procura deste recurso e pelas alterações nas cadeias globais de abastecimento.

Partido questiona destino do antimónio refinado

Na sua posição, o Bloco de Esquerda associa a futura refinaria de antimónio em Sines ao reforço da indústria europeia de defesa, referindo que o anúncio surge após a divulgação de um projeto para um cais de uso militar no porto de Sines. O partido considera que o destino final do metal deve ter um esclarecimento das entidades responsáveis, embora não exista confirmação oficial de que a produção se destine a esse setor.

O comunicado alerta ainda para os riscos ambientais e de saúde pública que, segundo o BE, estão associados ao processamento de antimónio, defendendo que qualquer projeto desta natureza deve garantir elevados padrões de segurança e proteção ambiental.

Críticas ao modelo de desenvolvimento para Sines

O Bloco de Esquerda critica igualmente a estratégia de reindustrialização em curso na região de Sines, considerando que a concentração de investimentos em áreas como centros de dados, hidrogénio, lítio e siderurgia aumentará a pressão sobre os recursos disponíveis.

Segundo o partido, estes projetos poderão traduzir-se num consumo energético muito elevado e agravar a pressão sobre infraestruturas públicas, nomeadamente nas áreas da habitação, saúde, educação e transportes, além de poderem afetar atividades tradicionais como a agricultura, a pesca e o turismo.

Exigências dirigidas ao Governo e às autarquias

Perante este cenário, o BE exige ao Governo, à Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral (CIMAL) e às autarquias da região que promovam um processo transparente e centrado na defesa das populações e do ambiente.

Entre as principais propostas apresentadas pelo partido estão a realização de um esclarecimento público sobre os impactos sociais e ambientais da refinaria de antimónio em Sines, a divulgação do destino previsto para o metal refinado e a suspensão do processo de reconhecimento do projeto como PIN.

Por fim, o Bloco de Esquerda defende ainda um modelo de desenvolvimento que privilegie o investimento em habitação, saúde, educação, transportes públicos e emprego, sustentando que a área industrial de Sines já suporta uma elevada concentração de grandes projetos.


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