Barreiro pode ressuscitar fábrica com 100 milhões
Um investimento de 100 milhões de euros pode devolver vida à antiga SGL/Fisipe, no Barreiro, anos após o colapso industrial que levou ao despedimento de centenas de trabalhadores. O projeto está pronto, mas continua preso a uma decisão crucial.

A possibilidade de reabrir uma das unidades industriais mais emblemáticas do Barreiro está novamente em cima da mesa. Um grupo de investidores nacionais e internacionais quer reativar a antiga SGL/Fisipe, encerrada após anos de perdas e despedimentos, com um investimento de 100 milhões de euros centrado na produção de fibra de carbono.
O plano é liderado pelo empresário José Pedro Rodrigues e surge num momento crítico para a região, marcada pelo declínio industrial e pela perda de emprego qualificado. A estratégia passa por reposicionar a fábrica num segmento mais competitivo, com aposta na indústria aeroespacial europeia e em materiais avançados de elevado valor.
A unidade, fundada em 1973, chegou a ser uma referência na produção de fibras acrílicas, mas perdeu competitividade ao longo das últimas décadas, sobretudo face aos mercados asiáticos. O encerramento definitivo, após sucessivas reestruturações, deixou cerca de 250 trabalhadores sem emprego e um vazio industrial difícil de preencher.
Agora, o novo projeto quer inverter esse ciclo. Além de retomar a produção, prevê a recuperação de parte dos postos de trabalho e a integração de técnicos portugueses especializados. Está também prevista uma ligação ao Instituto Superior Técnico, numa tentativa de garantir mão de obra qualificada e inovação contínua.
Mas há um obstáculo decisivo. A concretização do investimento depende da autorização da Administração do Porto de Lisboa, proprietária dos terrenos. O grupo afirma aguardar essa aprovação desde dezembro do ano passado, sem a qual o projeto não pode avançar.
Caso obtenha luz verde, a reativação da fábrica não será imediata. O prazo estimado para colocar a unidade em funcionamento varia entre três a cinco anos, começando por uma fase exigente de descontaminação ambiental. Um relatório técnico identificou quatro áreas críticas, obrigando a uma intervenção profunda antes da instalação de novas tecnologias.
O plano inclui ainda uma forte componente energética, com instalação de painéis fotovoltaicos e recuperação da central de biomassa, alinhando a futura operação com critérios de sustentabilidade.
A área total de intervenção ronda os 200 mil metros quadrados e enquadra-se na requalificação da frente ribeirinha do Barreiro, onde se pretende substituir antigas indústrias poluentes por atividade industrial moderna.
Em termos financeiros, o projeto aponta para receitas anuais de 63,5 milhões de euros, com destaque para a produção de fibra de carbono T700, destinada a setores como a aeronáutica e a defesa, e para a fibra acrílica técnica.
Mais do que um investimento, o que está em causa é a possibilidade de devolver ao Barreiro uma parte da sua identidade industrial. Para já, tudo depende de uma decisão administrativa que continua por tomar.
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