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Barcos vão mudar o mapa da Margem Sul para Lisboa

A Transtejo Soflusa prepara duas novas ligações fluviais entre a Margem Sul do Tejo e Lisboa, com destinos ao Parque das Nações e a Algés, num projeto que promete reforçar a mobilidade intermodal na Área Metropolitana de Lisboa e reduzir a pressão sobre os transportes rodoviários.

A Transtejo Soflusa estuda a criação de duas novas ligações fluviais que poderão alterar significativamente como milhares de passageiros se deslocam diariamente entre a Margem Sul e Lisboa. Os novos percursos, com destinos ao Parque das Nações e a Algés, inserem se numa estratégia de reforço da mobilidade intermodal na Área Metropolitana de Lisboa, apostando no transporte fluvial como alternativa eficiente e sustentável.

A ligação ao Parque das Nações deverá ter como ponto de partida o Montijo, podendo, numa fase posterior, abranger outros concelhos da Margem Sul, como o Seixal ou o Barreiro. A concretização desta ligação está ainda dependente dos estudos de procura e de navegabilidade atualmente em curso. O trajeto atravessa zonas com areias e lodos, obrigando a uma avaliação técnica rigorosa das condições de operação e da segurança da navegação.

Já a ligação entre a Trafaria, no concelho de Almada, e Algés, em Oeiras, encontra se numa fase mais avançada. Os estudos estão concluídos e o projeto deverá avançar com ligações experimentais no próximo ano, estando ainda por definir a localização exata do pontão. O desenvolvimento desta rota está a ser feito em articulação com as autarquias de Oeiras e Lisboa e com a Administração do Porto de Lisboa.

O presidente da Transtejo Soflusa, Rui Rei, sublinhou o carácter estratégico desta ligação, destacando a articulação direta com o Metro Sul do Tejo, na Trafaria, e com a futura Linha Intermodal Ocidental Sustentável, em Algés, que fará a ligação entre Benfica e Alcântara. A presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, manifestou a expectativa de ver esta ligação operacional já no próximo ano, defendendo um sistema de transportes eficaz e complementar. Uma posição partilhada pelo ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz.

Relativamente à ligação fluvial entre a Margem Sul e o Parque das Nações, Rui Rei admitiu que, apesar de ser considerada estratégica, não deverá entrar em funcionamento antes de 2028. O calendário dependerá dos resultados dos estudos de viabilidade e da disponibilidade de meios. Ainda assim, o responsável sublinhou a racionalidade económica do projeto, referindo que cada embarcação poderá transportar entre 540 e 700 passageiros, funcionando como uma alternativa eficiente aos autocarros que atualmente asseguram as ligações ao terminal do Parque das Nações nas primeiras horas da manhã.

As declarações foram prestadas esta quarta-feira, dia 21, à margem das comemorações do 50.º aniversário da Transtejo Soflusa. Na mesma ocasião, Rui Rei fez um ponto de situação sobre a modernização da frota, recordando que os novos navios elétricos já asseguram as ligações entre o Cais do Sodré e o Seixal e que passarão a servir Cacilhas a partir de fevereiro, estando prevista a entrada em funcionamento da totalidade da frota até abril.

Apesar dos avanços no processo de eletrificação, a ligação ao Montijo enfrenta ainda constrangimentos técnicos, nomeadamente a necessidade de instalação de um novo ponto de carregamento elétrico num pontão dedicado. Sem essa infraestrutura, torna se difícil garantir uma operação totalmente elétrica. Está também a ser avaliada a capacidade da frota atual, composta por 29 embarcações, bem como a eventual necessidade de aquisição de novos navios.


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