Autárquicas l ‘Fico muito honrado por continuar a senda de progresso que a CDU trouxe para o Seixal’
Paulo Silva é o candidato pela CDU à Câmara Municipal do Seixal

Série de entrevistas com os candidatos à Presidência da Câmara Municipal do Seixal às Eleições Autárquicas de 2025 no Distrito de Setúbal, hoje com Paulo Silva (CDU) Candidato à Câmara Municipal do Seixal.
Paulo Silva tem 59 anos, casado, com dois filhos, nasceu na Amora. Reside no concelho do Seixal, onde estudou e iniciou a sua actividade profissional como advogado.
Ligado ao movimento associativo do concelho, passou pelas colectividades do Paio Pires Futebol Clube, Seixal Futebol Clube e Sociedade Filarmónica 5 de Outubro como atleta e xadrezista.
É actualmente presidente da Câmara Municipal do Seixal, cargo que assumiu após a saída em Agosto de 2022 de Joaquim Santos.
Quando começou o seu interesse pela política e o que o levou a aderir ao PCP?
A minha adesão ao PCP deu-se na Universidade, apesar das ideias de esquerda já estarem enraizadas em mim, muito por influência do meu padrinho, trabalhador do Arsenal do Alfeite, que me transmitiu esses ideais de esquerda, de lutarmos por um mundo melhor e pelos direitos dos trabalhadores.
Nunca esqueço as minhas origens, o meu pai era trabalhador da construção civil, a minha mãe vendeu na praça e depois abriu um pequeno comércio, mas foi uma família muito humilde, passámos muitas dificuldades, e houve sempre um grande sacrifício da parte deles para que eu pudesse estudar e frequentar o ensino superior, uma situação que o 25 de Abril veio democratizar, mercê da luta de muitos.
Por tudo isso. tenho que honrar essa luta que me permitiu estudar, tirar uma licenciatura e dar melhores condições de vida à minha família, mas nunca esquecendo de onde vim, aquilo que passei e a luta que ainda temos de continuar por uma sociedade mais justa, ainda por cima numa altura em que vejo cada vez mais entraves para que os jovens de classes mais desfavorecidas tenham acesso à universidade.
Por outro lado, estive sempre ligado ao movimento associativo, quer como atleta quer como dirigente associativo, o que permite uma visão mais abrangente da sociedade.
Estive na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Amora, no Amora Futebol Clube, na Sociedade Filarmónica Operária Amorense, na Associação Unitária de Reformados Pensionistas e Idosos da Amora, e para muitas destas associações prestei serviço pro bono.
E neste percurso, há um ponto que muito me orgulha, o de ter conseguido resolver judicialmente um problema muito grave ocorrido com os Bombeiros Mistos do Concelho do Seixal, que permite que hoje a Associação Humanitária continue a dar todo o apoio fundamental ao concelho do Seixal.
Em termos políticos, fui eleito na Assembleia Municipal durante 28 anos, em que percorri quase todas as comissões, desde Juventude, Urbanismo, Desenvolvimento Económico e fui líder de bancada da CDU.
Há quatro anos, aceitei o desafio para ser número dois na lista da CDU à Câmara Municipal, e em 2022, com a saída de Joaquim Santos, passei a dirigir a autarquia.
Alguma vez pensou que poderia vir a ser cabeça de lista da CDU?
Quando me convidaram para ser número 2 da lista, isso foi uma alteração muito radical da minha vida, porque fui eleito como vereador, mas era subjacente que, sendo o último mandato do Joaquim Santos, eu pudesse depois vir a ser o cabeça de lista.
No entanto, nunca pensei que quando integrei as listas em 2021, que o Engenheiro Joaquim Santos acabasse por sair e fosse eu a assumir as funções de Presidente, mas tenho de entender as razões profissionais que o levaram a essa decisão.
O PCP não é um Partido em que haja tachos à espera dos seus eleitos quando deixam de o ser e Joaquim Santos, que assim que acabou a Universidade entrou na Câmara Municipal, logo que terminado o seu percurso, tinha de começar a sua carreira profissional.
Houve vários presidentes de Câmara do PS e do PSD que renunciaram ao mandato porque tinham outros cargos melhores, como administradores de empresas públicas ou eleitos para o Parlamento Europeu ou para o Parlamento Nacional. Não foi o caso de Joaquim Santos, que saiu para ir trabalhar e começar a vida profissional, porque tem uma família para sustentar e é mais fácil começar aos 46 anos do que aos 50 anos de idade.
‘Não tenho dúvidas de que o Seixal evoluiu a passos de gigante’
Que balanço faz destes 50 anos de gestão CDU no concelho?
Faço um balanço muitíssimo positivo. Nasci no concelho do Seixal, era menino quando aconteceu o 25 de Abril e lembro-me bem o que era este concelho, uma baía para onde iam todos os esgotos sem qualquer tratamento, com cheiros nauseabundos. Lembro-me de estar na Cruz de Pau, na casa dos meus pais, e a minha mãe dizer que a maré devia estar vazia porque chegava lá o mau cheiro. Hoje a baía é o nosso ex-libris
Também me lembro que, como criança, não tinha um parque infantil na Cruz de Pau, e foi a Comissão de Moradores que construiu esse equipamento, para enorme alegria dos meninos que foram acompanhando as obras, a ver os homens a soldarem, a construir o escorrega e o baloiço onde íamos brincar.
E como estudante, recordo os pavilhões pré-fabricados, sem condições, frios no Inverno, quentes no Verão. Hoje vejo as escolas em que os meus filhos estão a estudar e são muito superiores.
Também quase não tínhamos instalações desportivas, nem associações de reformados, que antes não tinham quaisquer direitos.
Vejo toda esta transformação e não tenho dúvidas de que o Seixal evoluiu a passos de gigante, daquilo que já foi um dos concelhos mais atrasados do país, e isto deve-se sem dúvida ao poder local democrático.
E por isso fico muito honrado de poder continuar esta senda de progresso, de transformação que o PCP e a CDU trouxeram para o concelho do Seixal e espero estar à altura para continuar esse trabalho, que também passa por fazer aumentar a atractividade do concelho para mais investimento, que proporcione mais emprego.
E o que falta ainda fazer?
Há ainda problemas para resolver, sem dúvida, como o caso da rede de saneamento na urbanização da Verdizela.
Há problemas que foram herdados, que têm vindo a ser resolvidos, num trabalho que irá continuar. Neste mandato resolvemos questões que já se arrastavam há alguns anos, mas também tivemos o apoio do PRR, algo que não estava no Programa 2021, e que foi muito positivo.
O Seixal foi dos concelhos que mais projetos conseguiu aprovar, mas isso obrigou a que alocássemos verbas de Orçamento Camarário para avançarmos com esses projetos que tinham de ser realizados até 2024.
Claro que com isso outros projectos ficaram suspensos, mas já foram, entretanto, retomados, tendo iniciado este mês a instalação da rede de saneamento numa das ruas principais da Verdizela, por exemplo.
Outro problema que se arrasta há décadas é a legalização das AUGI – Áreas Urbanas de Génese Ilegal, transversal a outros concelhos na margem sul, e um assunto que conheço bem, uma vez que como advogado acompanhei e encerrei vários processos em Almada, onde tenho o meu gabinete.
No Seixal também tive o convite para tratar de alguns processos, mas não aceitei, porque considerei que, sendo membro eleito na Assembleia Municipal, não o devia fazer.
As AUGI são situações muito complexas e ninguém pense que consegue resolver em quatro anos, porque não há uma varinha mágica para o fazer, e quem disser que resolve nesse tempo, está a mentir, e não conhece a problemática.
Cada AUGI é um processo diferente, com as suas especificidades, algumas mais adiantadas na legalização e outras com processos mais atrasados.
No executivo, temos reunido com as Comissões de Comproprietários e esperamos avançar com a legalização dos processos que faltam.
Educação, integração, mobilidade e Hospital no Seixal
No âmbito da candidatura da CDU, pode apontar os quatro pilares do programa eleitoral?
O primeiro pilar passa por continuarmos a desenvolver o concelho, através da construção de mais infraestruturas sociais, e neste mandato tivemos um avanço muito grande com a construção de várias creches: duas já inauguradas e sete em construção ou em processo de começar.
As creches são dos equipamentos mais importantes para o desenvolvimento do concelho, porque se queremos continuar a crescer é preciso incentivar o aumento da natalidade, e este só é possível com condições para os pais. E essas condições não são os benefícios fiscais, porque ninguém faz filhos por planificação fiscal, fá-los por amor.
Após o fim da licença de maternidade ou paternidade, há dificuldade na colocação das crianças, e é isso que estamos a criar no concelho, que ficará com uma das maiores redes de creches da Área Metropolitana de Lisboa, se não for mesmo a maior.
Também ao nível dos jardins-de-infância é preciso avançarmos com mais equipamentos, porque as crianças precisam de opções quando saem das creches, já foram assinaladas várias necessidades, e iremos avançar com projectos.
A questão da educação é outro dos pilares fundamentais e que está no eixo do desenvolvimento.
Por esse motivo estamos a fazer o levantamento das necessidades da comunidade escolar, e vão ser construídas quatro novas escolas, com concursos já fechados; duas estão à espera de visto do Tribunal de Contas, a outra já está a começar a ser construída e para a quarta estamos a fechar o projeto, num investimento que ronda os dois milhões de euros.
O objectivo é acabarmos com o turno duplo que ainda existe no concelho, devido ao aumento da população que tivemos. Acredito seriamente que no próximo mandato iremos acabar com o turno duplo nas escolas de jardim-de-infância e 1.º ciclo.
Por outro lado, o estado da maioria das escolas do 2.º e 3.º ciclos e secundárias é miserável. É escandaloso o modo como o Governo deixou degradar as nossas escolas, muitas delas com mais de 30 anos, e nunca tiveram obras de manutenção.
E porque o Ministério da Educação nem sequer os projetos já realizados nos passou, a autarquia teve de voltar a fazer esses projectos, uma vez que para avançarmos para as requalificações, é essencial o projecto do que está edificado.
E tudo isto tem um custo muito acrescido, cada um destes projetos custa mais de 300 mil euros, já temos 6, são quase 2 milhões de euros gastos, mas faltam outros 6 projectos.
É mais uma incumbência do Poder Central a disponibilização de verbas para esses processos, mas mais uma vez a Câmara Municipal está cá para ser parte da solução.
Além dos equipamentos que cabem à Câmara, também não vamos deixar de reivindicar a construção da escola de 2.º e 3.º ciclo e Secundária de Fernão Ferro, e uma nova escola de 2.º e 3.º ciclo para Corroios, porque é a freguesia mais populosa do concelho e tem apenas duas escolas de 2.º e 3.º ciclo e uma Escola Secundária.
Na área social, tenho de destacar a questão da integração na deficiência, e considero essencial apoiarmos as instituições que realizam trabalho nessa área, para dar melhores condições de vida aos moradores do concelho que são portadores de deficiência.
A Câmara tem apoiado os equipamentos que as instituições de apoio estão a construir, como é o caso da Associação de Paralisia Cerebral de Almada-Seixal, que está a acabar as suas novas instalações.
Também a ANPAR – Associação Nacional de Pais e Amigos Rett, está a construir as suas novas instalações, que devem estar concluídas até ao final do ano.
Estas obras têm apoio do PRR e da Câmara Municipal, como também é o caso da requalificação das instalações da CERCISA – Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados do Seixal e Almada.
Mas vejo, e digo isto com desagrado e com tristeza, que estas três instituições que têm uma abrangência nos concelhos de Almada e Seixal, só a autarquia do Seixal está a apoiar a construção destes equipamentos.
Lamento que o município de Almada não tenha igual atitude, porque seria em melhor se ambos os municípios estivessem a trabalhar no mesmo sentido.
Para o ponto seguinte destaco o trabalho que tem sido feito com a terceira idade, também muito importante, e o outro dos problemas existentes.
O concelho tem excelentes associações de reformados, uma Universidade Sénior que é do melhor que há no país, mas faltam as respostas de lares para idosos.
A Câmara está a colaborar na requalificação do lar da ARIFA – Associação de Reformados e Idosos da Freguesia de Amora, que tem mais de 25 anos; em breve irá começar a funcionar o lar da ARPIFF Associação de Reformados Pensionistas e Idosos de Fernão Ferro; está a ser construído o lar da AURPICM – Associação Unitária de Reformados, Pensionistas e Idosos do Casal do Marco, e será lançada a obra para o lar de Pinhal de Frades.
Mesmo assim temos consciência de que não é suficiente, e que as respostas têm de aumentar, pelo que é indispensável um Lar na freguesia de Corroios, para o qual já foi identificado o terreno, que virá em breve à posse da Câmara Municipal e também a Casa do Educador tem um projecto bastante avançado para o seu lar de idosos.
Outro pilar prende-se com a mobilidade, outro problema existente no concelho, que temos de resolver ou minorar.
É claro que ninguém pensa que vai andar à hora de ponta sem enfrentar trânsito no concelho do Seixal, porque isso há em qualquer parte do mundo, e vão continuar a existir, mas têm de ser minorados.
É por esse motivo que espero que obtenhamos as autorizações para a construção da Alternativa à Nacional 10, em Corroios, mas também para outras vias que estamos a projectar.
Outro aspecto prende-se com a expansão do Metro Sul do Tejo, que a Câmara também tem vindo a reivindicar, e recentemente tive uma reunião com a Secretária de Estado da Mobilidade na qual alertei para a necessidade deste equipamento chegar à Cruz de Pau, servindo a Estação Ferroviária de Foros de Amora.
Trata-se de construir mais 1,8 km, porque a linha já está feita até às instalações do Metro Sul do Tejo. E com esse complemento, o MST passa a servir mais 50 mil pessoas, e não tem um custo por aí além porque ainda por cima há espaço canal para isso.
Veremos agora qual vai ser o andamento do processo, porque depende também de reuniões com a Infraestruturas de Portugal.
Ainda no âmbito das reivindicações, temos também insistido muito na melhoria do transporte fluvial, onde os passageiros continuam a enfrentar supressão de carreiras. Isto não pode continuar a acontecer, temos que ter um transporte fluvial de qualidade, até porque a oferta de transporte para Lisboa se limita a dois meios: o ferroviário da Fertagus, que está super-lotado e o fluvial, que está subutilizado porque as pessoas não acreditam na sua fiabilidade.
Se os horários fossem cumpridos, muito mais passageiros utilizariam a ligação fluvial, que actualmente raramente tem mais de 50% da ocupação total, mesmo em hora de ponta, porque as pessoas já têm receio de contar com este meio de transporte.
Outra reivindicação em que acompanhamos os utilizadores é a criação de carreiras fluviais Lisboa-Seixal-Barreiro, fora de hora de ponta, o que permitiria a rentabilização das carreiras e serviria muito mais passageiros, e permitiria alargar o horário nocturno para o Seixal.
Seria necessária uma dragagem no rio, mas o que se poupava em combustível, iria compensar isso à Transtejo.
E por último, tenho de falar da questão do Hospital no Seixal, um equipamento fundamental, sobre o qual tive a boa notícia de que a petição que foi entregue no Parlamento vai ter a audição no dia 16 de setembro, mais um passo importante para a construção deste equipamento que tanta falta faz, e do qual não iremos desistir enquanto não for uma realidade. Tenho a certeza que mais ano, menos ano vai ser construído.
Agora não venha A ou B dizer que ‘se for eleito, constrói este equipamento’ porque uma estrutura destas tem um custo muito elevado, sem condições para ser integrado no Orçamento da Câmara, sem que deixemos de fazer tudo aquilo que compete ao município em prol dos munícipes.
Ou seja, para construirmos um Hospital, deixávamos de fazer aquilo que é a nossa competência, para fazermos aquilo que não o é, sendo certo que depois, o Governo não irá fazer aquilo que é a competência da autarquia, como construir equipamentos desportivos, escolares e culturais.
Se for eleito presidente da Câmara Municipal do Seixal, qual será a primeira medida que tomará?
Reunir com os trabalhadores. Reunir com os trabalhadores para começarmos todos juntos a para começarmos a preparar o próximo mandato, para mostrarmos o melhor serviço público à população do concelho do Seixal.
Mais do que qualquer outra medida, a primeira tem de ser ao nível interno, e é com os trabalhadores todos juntos para fazermos o plano de mandato e discutir como o vamos desenvolver e implementar.
Depois é continuar a falar com a população, e acho que tenho sido um presidente muito presente nas ruas, conversando com os residentes, ouvindo as suas preocupações e necessidades.
Também é importante falar com as instituições para continuarmos sempre com um grande objetivo que é o desenvolvimento e o progresso deste concelho, onde eu nasci e que gostaria de continuar a desenvolver o trabalho de transformação que a CDU tem realizado no concelho do Seixal.
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Mas o que progride com o comunismo ? As ruas estão uma lastima, a agua que cobram chega turva ás torneiras e o que interessa é recrutar pessoal grátis para a festa do avante, o que gastam em festas e festinhas dava para fazer uma rede de agua e depósitos novos . Este senhor devia era ter vergonha em voltar a candidatar se
Altura de mudança! CHEGA já!
“Hoje vejo as escolas em que os meus filhos estão a estudar e são muito superiores.” Escolas superiores??? Estudei há mais de 25 anos nas escolas do concelho, quando me desloco às mesas para ir votar faço uma viagem no tempo, pois está tudo igualzinho, algumas até ainda têm os trabalhos que realizamos nesse tempo, aquilo que se vê é apenas estagnação fruto da falta de visão da CDU ao longo destes anos…
Fabio Sousa típicas salas de aulas da década de 40
Paguem o que devem a quem trabalhou em Maio nas eleições
Jorge Peixoto vais para as mesas de voto à espera de receberes no dia a seguir? Estás a culpar a câmara pelo pagamento? 🤣🤣🤣🤣
“Não foi o caso de Joaquim Santos, que saiu para ir trabalhar e começar a vida profissional, porque tem uma família para sustentar e é mais fácil começar aos 46 anos do que aos 50 anos de idade.” Não seria melhor estar calado invés de publicar uma baboseira destas? Então o homem não trabalhou desde que entrou na política? O que acontecia ao salário de presidente do município? Não servia para manter a família? Está parte devia ser apagada da entrevista, não acrescenta nada e até diminui a figura do Joaquim Santos .
Miguel Pereira job for the boys
Que progresso???? Só se for das ruas com mais buracos aí sim tem muito progresso.