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Autárquicas | António Cachaço quer criar gabinete de apoio a “startups” em Setúbal

Nasceu e cresceu no concelho de Setúbal?

 Sim, nasci e cresci em Setúbal há 50 anos, vivi sempre em Setúbal, toda a minha vida foi passada em Setúbal.

Como foi crescer aqui na cidade?

É uma cidade interessante, com muita vida. Eu costumo dizer que eu amo Setúbal, mas não gosto desta versão atual, acho que hoje é uma cidade com muito potencial e com um desperdício muito grande de várias valências.

Qual é o seu percurso profissional?

 Eu trabalhei durante muitos anos na área comercial, portanto trabalhei na antiga Cabovisão, depois estive no Grupo Visabeira muitos anos e depois troquei o Grupo Visabeira pelo Grupo Manpower. Dois ou três meses antes do Covid acabou por o projeto ir abaixo. Até por opção minha, achei que não tinha lógica continuar o projeto naquela altura, que tinha iniciado há tão pouco tempo e que os custos eram elevados, então acabámos por chegar a acordo. Depois, entretanto, comecei com painéis solares, na área do marketing, que é o meu trabalho agora.

Quando se deu o seu primeiro contacto com a política e em particular com o partido Chega?

 Fui convidado pela estrutura aqui de Setúbal. O Chega andava à procura de pessoas de Setúbal, pessoas com conhecimento de Setúbal e fui convidado por uma deputada e pelo presidente da Distrital para entrar no partido, para começar a ter conhecimento da estrutura e para ajudar já na campanha legislativa anterior e nas autárquicas.  Portanto eu já era o número dois na altura em que se iniciou esta campanha.

A antiga número um, Lina Lopes, desistiu de se candidatar a presidente do município em circunstâncias suspeitas, onde é acusada de pedir dinheiro emprestado a um empresário de Setúbal.

Consegue esclarecer com maior pormenor os eleitores do concelho – sobretudo os eleitores do Chega – sobre o que se passou efetivamente com Lina Lopes?

Nós não sabemos, isso foi um processo que é pessoal. Portanto, a Lina era uma candidatura independente com o apoio do Chega e nós aceitamos a decisão da Lina. Portanto a Lina disse que ia sair por motivos pessoais porque se queria defender a nível pessoal e devido ao passado que ela tem com o André Ventura não queria prejudicar nem o André Ventura nem o Chega neste processo que está aqui de difamação.

Eu costumo dizer que existe a verdade de uma pessoa e existe a outra, no meio existe a verdade concreta. Portanto, nós neste momento o que temos são indícios de um lado e indícios do outro. Não nos vamos meter numa situação que é pessoal entre eles dois, entre a Lina e o empresário. Eu não tenho conhecimento de nada, não faço ideia, portanto  só sabemos que é um motivo pessoal.

O empresário mencionado na reportagem da Sábado é dono de um restaurante aqui em Setúbal e sabe-se que o empresário já tinha uma grande afinidade com o Chega e mais tarde, pela própria candidata. 

Pergunto-lhe se considera que existe a possibilidade de Lina Lopes ter feito uma tentativa de financiamento ilícito, tanto pessoal como da própria campanha do Chega em Setúbal?

 Não faço ideia, não faço mesmo ideia.

 Ao longo dos últimos 4 anos qual tem sido o trabalho autárquico desenvolvido pelo Chega na cidade de Setúbal?

O nosso lema é “rua à rua, porta à porta, cidadão a cidadão”. Temos um vasto conhecimento das situações que são necessárias em Setúbal, apesar de agora termos uma proximidade maior, devido às arruadas que temos feito, devido à proximidade que temos tido com as pessoas, mas temos uma ideia muito clara das necessidades que Setúbal tem neste momento.

Mas tendo um deputado municipal eleito, o que ganhou a população de Setúbal com esta representação do Chega na Assembleia Municipal?

Ainda não temos a força necessária para termos um impacto tão grande como nós queremos em termos da cidade de Setúbal, mas penso que o caminho será esse, continuando o projeto nacional começamos a ganhar alguma estrutura dentro das autarquias e das juntas de freguesia para podermos ter uma força maior para termos uma linha condutora dentro do Chega ao nível autárquico.

Mas fora os resultados ao nível nacional nas últimas Eleições Legislativas, pergunto sobre o que foi feito pelo Chega ao nível do concelho de Setúbal nestes últimos 4 anos?

Ganharam a nossa procura em termos da cidade de Setúbal, ganharam com a nossa procura de uma habitação para os mais jovens, ganham com a segurança, portanto nós temos batido sempre nas nossas linhas mestras, mas sempre com os travões de todo o resto da Câmara Municipal.

Quais são os problemas que identifica que estão por resolver na cidade de Setúbal?

A habitação e a segurança. Temos zonas da cidade com pouca iluminação e temos poucos ativos da polícia em Setúbal. Portanto, aqui por exemplo na baixa, que era uma zona com muita vida, de inverno chega ali às cinco horas, entre as cinco e as seis, as pessoas que têm lojas aqui estão desejantes de se irem embora porque realmente se sentem inseguras.

Portanto a segurança, a habitação, a saúde, apesar da saúde ser uma coisa mais do Governo Central, se nós estivermos à espera que o Governo resolva e se não tivermos algumas iniciativas locais, vamos ter problemas mais sérios ainda no futuro.

Qual é a avaliação que a sua candidatura faz dos últimos executivos da Câmara Municipal liderados pela CDU?

No último debate o André Martins estava a dizer que que tem sido um mandato de muito investimento, o maior investimento sempre, e nós na rua não vimos esse investimento. Portanto se o dinheiro é investido nós não temos a noção de onde ele é investido. Porque, na realidade, é uma cidade que está mais suja, é uma cidade que tem menos empresas, é uma cidade que capta menos investimento. 

Portanto neste momento se há investimento nós não temos uma ideia concreta no que seja, a habitação está como está, a segurança está como está, portanto não vemos, assim, esse investimento, esse número que o André Martins faz questão de frisar, não o vemos na rua.

A ideia será reorganizar toda uma estrutura que existe neste momento dentro da Câmara, darmos algumas valências em alguns pontos, por exemplo, ao Serviço Municipalizado de Setúbal, achamos que é possível rentabilizar de outra forma, temos uma ideia muito clara do que é que é possível fazer, mas não queremos divulgar porque é uma ideia assim, um bocadinho fora da box, mas pronto, a ideia basicamente é essa, reagrupar, reformular e reorganizar toda a parte camarária aqui em Setúbal.

Sobre aspectos mais concretos dos compromissos eleitorais do Chega, tem sido habitual em algumas entrevistas ouvir respostas como “não podemos dizer” ou como disse agora “não queremos divulgar”.

Seria possível esclarecer quais são as principais propostas do programa eleitoral do Chega para a cidade de Setúbal?

 Em termos da habitação, queremos baixar o IMI para jovens que querem morar aqui no concelho, mas também fazer uma avaliação do imobiliário camarário e perceber o que é que a câmara tem, onde é que são as rendas onde é que não são as rendas, quais são os imóveis que estão cedidos e os que não estão cedidos, os que não estão em condições e os que estão em condições. Queremos fazer uma listagem desse património para realmente ver a possibilidade de o remodelar de o meter no mercado para ajudar os jovens.

Em termos da saúde, queremos abrir um posto médico numa zona mais mais interurbana, portanto, ali na freguesia de Gâmbias Pontes Alta Guerra. Queremos reorganizar aqui um bocadinho os postos de saúde que existem neste momento. Achamos que estão desequilibrados em relação à população ativa neste momento. Gostaríamos também de conseguir ajudar os azeitonenses com a abertura de um posto de viaturas de emergência médica em Azeitão. 

Ao nível do ensino queremos requalificar as escolas. Fiz visitas e as escolas em Setúbal que me deixaram triste, portanto o Liceu é uma escola que está completamente degradada. Além disso, queremos também tratar da parte da mobilidade em termos dos estudantes, porque em Azeitão temos um grande problema que é, os estudantes de Azeitão quando querem vir para cá, a maioria são os encarregados de educação que os vêm trazer porque os autocarros que vêm de Almada já chegam ou cheios ou sem condições para quem está em azeitão vir para cá. 

A questão da dívida da Câmara Municipal de Setúbal tem sido um assunto pouco abordado ao longo da campanha. 

Quais são as medidas do Chega para abater a dívida do município?

Primeiro de tudo temos que avaliar porque nós temos noção que as contas não devem estar muito verdes, mas temos que avaliar nós não vamos estar a falar sem ter conhecimento. Primeiro nós vamos querer fazer uma análise de todas as contas e perceber como é que estão realmente. 

Quais são as propostas do Chega para o desenvolvimento económico da cidade de Setúbal?

 Nós queremos desenvolver startups, queremos puxar startups para cá. Nós queremos criar um gabinete de apoio a empreendedores para ajudarmos os jovens a terem uma ideia porque é difícil com todo o processo burocrático. Queremos acompanhar desde o primeiro dia até estar a startup a funcionar, queremos dar condições nos primeiros meses de trabalho das startups. 

Neste caso eu costumo dizer que às vezes é bom a gente olhar para o lado, para uma cidade que é gerida pelo PS, que é o Barreiro, que têm feito um excelente trabalho a esse nível. Queremos fazer com que os jovens tenham a hipótese de criar e alavancar o seu negócio e depois irem à vida normal dentro do mercado empresarial.

Temos também a ideia de fazer uma marina de recreio náutica que nos permita fazer manutenção e construção de veleiros e de barcos de algum porte. Nós temos aqui uma zona de passagem de turismo do norte da Europa que vai de Cádiz a Vigo, mas que não pára aqui em Setúbal, que tem todas as condições. Estamos protegidos pela serra para fazer um posto de passagem de veleiros e de turismo do norte da Europa, até para chamarmos algumas competições internacionais.

Relativamente ao desporto a Câmara Municipal de Setúbal foi dos municípios a sul do Tejo que mais investiu. Também tem sido uma área sobre a qual o António tem falado nas últimas entrevistas que deu.

Quais são as propostas do Chega para a área do desporto?

Investiu, mas depois, lá está, mais uma vez, não se vê no dia-a-dia. Eu sei que há muitas coletividades, há muitas associações que fazem um trabalho extraordinário em Setúbal, mas também há muitas associações que se calhar recebem algum dinheiro sem depois darem mais valia para os cidadãos.

Nós queremos agarrar essa situação e apostar em áreas que tragam visibilidade e que possam trazer turismo para Setúbal. Por exemplo, o rugby tem tido um impacto excelente, mas a nossa ideia é que é possível fazer mais e melhor. O futebol de praia, há muitos eventos que são empurrados para Sesimbra porque não temos aqui condições para receber esses eventos.

Portanto nós queremos dotar Setúbal dessas características. Eu já ouvi dizer que não se constrói um centro de alto rendimento esportivo porque não temos clubes de futebol na Primeira Liga. Mas se não construirmos o centro de alto rendimento, nunca os vamos ter. Estamos a deixar passar os atletas os potenciais que existem aqui em Setúbal, vão para outros lados.

Sabemos que o Chega defende a implementação de videovigilância. Acompanham também a proposta de Maria das Dores – e dos partidos da direita que estão a apoiar a candidata – para implementar uma Polícia Municipal no concelho de Setúbal?

 Sim, nós defendemos e já tivemos reuniões com a PSP e eles também estão de acordo. A ideia da Polícia Municipal é aliviar a PSP para outras ações que sejam mais necessárias, para que a Polícia Municipal faça um policiamento de proximidade, andar mais na rua, resolver aqueles pequenos casos e libertar a PSP para outras funções que são necessárias.

Também falámos da videovigilância, estamos de acordo com o projeto. Apesar de já alguns terem ligado isso a bairros mais problemáticos, a nossa ideia não é essa, nossa ideia é resolver a questão da baixa, perto de escolas, perto dos acessos aos transportes, portanto, darmos alguma segurança aos setubalenses. Nos bairros problemáticos não é a videovigilância que vai resolver.

 Mas muitas vezes as imagens captadas pela videovigilância não podem ser utilizadas diretamente em tribunal. Considera que esta é uma solução eficaz?

Isso tem a ver com o RGPD, a protecção de dados. Mas penso que têm uma função dissuasória muito forte e até em termos de investigação. E para nós resolvemos alguns casos ajuda bastante, temos casos concretos em Portugal já de algumas zonas com videovigilância que têm tido resultados positivos.

Relativamente à oferta cultural aqui na cidade de Setúbal e à preservação do património, o Chega tem alguma proposta nesta matéria? 

 Nós queremos recuperar alguns edifícios que stão ao abandono em Setúbal. Temos também a ideia de fazer o Museu da Pesca e da Indústria Conserveira, vamos avançar nesse sentido. Vamos ainda perceber como e onde, não temos concretamente uma zona definida, mas gostaríamos de ter esse museu dessa tradição. 

O Chega não falado sobre esta matéria, mas relativamente ao estacionamento tarifado em Setúbal e à polémica com a Data-Rede em particular, qual é a posição da sua candidatura?

Sabemos que a empresa está em incumprimento com algumas coisas, portanto deveriam de existir dois estacionamentos subterrâneos que nós não temos ideia de que fossem possíveis fazer. Também sabemos que deviam existir bolsas de estacionamento gratuito, que não foram cumpridas. Agora, a empresa fez um contrato com a Câmara Municipal, nós achamos que neste momento o que a  Câmara está a fazer é um bocadinho arriscado, há coisas a cumprir. 

Considera que a Câmara não fez bem em denunciar o contrato? 

Nós não sabemos. A nossa ideia é assim: o contrato está em incumprimento, agora o que isso vai trazer à cidade de Setúbal, quais são as penalizações que vão trazer? Portanto nós vamos avaliar vamos avaliar esse dossiê para percebermos também mais concretamente quais as medidas a tomar.

No que diz respeito à conservação ambiental e à higiene urbana quais são as medidas que o Chega pretende implementar? 

 Nós estamos preocupados com algumas situações em Setúbal, principalmente ali nas descargas em Poçoilos. É um dossiê que nós estamos atentos. Depois temos algumas medidas que são medidas mais do dia-a-dia, como a troca de alguns contentores em algumas zonas que não são limpas com a frequência devida, mas nós no programa não metemos nada em termos de limpeza porque isso é uma obrigação da Câmara.

Já houve uma descentralização de alguns poderes da Câmara para as juntas de freguesia. Eu não sei se é bom a descentralização ou não, eu sei que o processo não está a funcionar em condições, porque nós vimos que a cidade está cada vez mais suja.

Portanto a ideia é revitalizar a parte da limpeza, porque Setúbal tem que ter uma imagem muito mais limpa por causa do turismo. Se nós queremos captar turismo, não podemos ter pessoas a saírem do barco da Troia e terem ali aquela parte dos restaurantes aquilo tudo com um cheiro, não é essa imagem que nós queremos dar de Setúbal.


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