Autarcas insatisfeitos após reunião com ministra da Saúde sobre urgências do Hospital de Vila Franca de Xira
Os autarcas dos municípios abrangidos pelo Hospital de Vila Franca de Xira manifestaram esta segunda-feira insatisfação após uma reunião com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, realizada em Lisboa.
O encontro aconteceu no mesmo dia em que as urgências de ginecologia e obstetrícia daquela unidade foram encerradas, com os casos a serem encaminhados para o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures.
Estiveram presentes autarcas dos concelhos de Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Benavente e Vila Franca de Xira, que integram a área de influência do hospital.
No final da reunião, o presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira, explicou que a ministra justificou o encerramento com a escassez de médicos obstetras, garantindo, no entanto, que a medida terá caráter provisório.
“A senhora ministra ouviu-nos, o que já foi positivo, porque ainda não o tinha feito, deu-nos conta que este encerramento tendencialmente seria provisório, portanto não está perdida a possibilidade de voltar a reabrir num contexto em que haja equipas médicas e de enfermagem suficientes”, afirmou Fernando Paulo Ferreira acrescentando que os autarcas ficaram desagradados por terem tido conhecimento da decisão através da comunicação social.
Apesar das garantias de que o encerramento não será definitivo, os autarcas dizem continuar preocupados. Segundo Fernando Paulo Ferreira, o Governo não apresentou medidas concretas para resolver a falta de profissionais de saúde no curto prazo.
“Não será nem amanhã nem daqui a seis meses que o Serviço Nacional de Saúde conseguirá atrair todos os obstetras necessários para reabrir esta maternidade”, alertou.
Outra das preocupações prende-se com a distância até ao hospital de referência para onde os casos passam agora a ser encaminhados. Dos cinco concelhos abrangidos, apenas Vila Franca de Xira integra a Área Metropolitana de Lisboa, enquanto os restantes municípios têm populações mais afastadas de Loures e sem ligações diretas de transporte público.
Os autarcas receiam que a concentração das urgências obstétricas no Hospital Beatriz Ângelo aumente o risco para as grávidas da região. Fernando Paulo Ferreira recordou que têm ocorrido partos fora do contexto hospitalar, nomeadamente em ambulâncias.
“Quanto mais longe estiver a urgência obstétrica, maior a probabilidade de estes casos se repetirem”, afirmou.
Os cinco municípios anunciaram que vão continuar a contestar a decisão. Está já a decorrer um abaixo-assinado para ser entregue na Assembleia da República.
Os autarcas planeiam ainda reunir-se com responsáveis da Península de Setúbal, que poderão enfrentar uma situação semelhante quando entrar em funcionamento a futura urgência regional naquela região, prevista para o Hospital de Almada, o que implicará o encerramento da urgência do Hospital do Barreiro.
Em substituição do serviço de Vila Franca, entrou em funcionamento esta segunda-feira, às 09h00, uma urgência regional de ginecologia e obstetrícia no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures. Trata-se da primeira unidade criada no âmbito do novo modelo de organização das urgências hospitalares.
Segundo a diretora clínica da área hospitalar da ULS Loures/Odivelas, Ana Miranda, o serviço estava, durante a manhã, “a funcionar calmamente”.
Contudo, os autarcas receiam, contudo, que a sobrecarga de urgências obstétricas no Beatriz Ângelo coloque “em maior risco as grávidas” dos cinco municípios, acrescentou Fernando Paulo Ferreira. Segundo o autarca, houve momentos no fim de semana em que o hospital de Loures já não tinha camas disponíveis para partos, numa altura em que a urgência obstétrica de Vila Franca ainda estava em funcionamento.
Apesar do encerramento da urgência, o Hospital de Vila Franca de Xira mantém a maternidade para partos programados, bem como consultas abertas de ginecologia e obstetrícia para doença aguda não urgente.
O novo modelo prevê avaliações semestrais ao funcionamento destas urgências regionais.
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