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Autarcas da Península de Setúbal protestam contra encerramento das urgências obstétricas no Hospital do Barreiro

Presidentes de câmara alertam para sobrecarga do Hospital Garcia D’Orta e pedem construção urgente do hospital no Seixal.

Os presidentes de câmara dos nove municípios da Península de Setúbal concentraram-se no dia 2 de março junto ao Ministério da Saúde para entregar uma missiva à ministra Ana Paula Martins, manifestando unanimemente o repúdio pelo encerramento das urgências de obstetrícia e ginecologia do Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro.

Esta unidade hospitalar da Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho Sul serve milhares de pessoas, e o fecho do serviço, segundo os autarcas, irá agravar as condições de saúde pública numa região com o PIB per capita mais baixo do país, além de sobrecarregar ainda mais o Hospital Garcia D’Orta, em Almada.

Paulo Silva, presidente da Câmara do Seixal, afirmou que “esta decisão foi tomada sem ouvir ninguém, nem sequer as comissões de utentes da saúde, facto que prejudica gravemente a população da nossa região”. Acrescentou que a medida concentrará ainda mais as urgências de obstetrícia no Hospital Garcia D’Orta, tornando “cada vez mais caótica a situação já existente neste hospital”.

Paulo Silva alerta que “estamos a falar de mulheres grávidas que ficam praticamente sem respostas de proximidade, sendo empurradas para uma unidade hospitalar que, atualmente, já não reúne condições, nem ao nível das instalações, nem do número de profissionais de saúde, para dar resposta ao previsível aumento da procura”. O autarca prevê “a continuação dos partos realizados em ambulâncias que colocam um risco acrescido para mães e bebés”.

Frente a esta situação, a Comunidade Intermunicipal da Região de Setúbal reuniu extraordinariamente os nove autarcas, que decidiram avançar com esta ação firme de contestação. Paulo Silva reforça: “Não aceitamos decisões tomadas à distância, sem conhecimento da realidade e sem respeito pelas populações. Defender o Serviço Nacional de Saúde é defender a dignidade, a segurança e o futuro de todos. E, nessa luta, não recuaremos”.

O presidente da Câmara do Seixal alerta ainda para o crescimento da população na margem sul do Tejo e para as transformações impulsionadas por projetos estruturantes como a 3.ª Travessia do Tejo, o TGV, o novo Aeroporto de Lisboa e o Projeto Parques Cidades do Tejo.

Paulo Silva sublinha que „a falta de respostas de saúde adequadas compromete a confiança da população no Serviço Nacional de Saúde, num contexto em que a mortalidade infantil na Península de Setúbal é superior à média nacional, em que os partos realizados em ambulâncias devido ao reencaminhamento de grávidas para o Hospital Garcia D’Orta continuam a aumentar, em que subsistem mortes por demora nos meios de socorro e em que 40% da população não tem médico de família atribuído“. Face a isto, conclui que “precisamos, com a máxima urgência, que seja construído o futuro Hospital do Seixal!”.


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