Ativistas invadem Galp em protesto por mortes ligadas à onda de calor
Movimento Climáximo colocou 284 cruzes na sede da Galp, em Lisboa, acusando a petrolífera de responsabilidade direta pelas mortes durante a mais recente onda de calor em Portugal.
Um protesto simbólico e de forte carga emocional marcou a manhã desta quarta-feira na sede da Galp, em Lisboa. O grupo ambientalista Climáximo invadiu o átrio principal da empresa e ali colocou 284 cruzes, representando o número de mortes associadas ao excesso de calor registado entre o final de junho e o início de julho em Portugal continental.
De acordo com dados divulgados pela Direção-Geral da Saúde (DGS), entre 28 de junho e os primeiros dias de julho, 284 pessoas, maioritariamente com 85 ou mais anos, morreram em resultado das temperaturas extremas. O organismo referiu ainda que não se registou excesso de mortalidade abaixo dos 70 anos, e que o impacto observado foi semelhante ao dos anos anteriores: em 2024 contabilizaram-se 715 óbitos em excesso durante um episódio de calor entre julho e agosto, e em 2023, 384 mortes em excesso durante uma semana de temperaturas extremas em agosto.
A ação dos ativistas foi liderada por Anne Morrison, de 70 anos, porta-voz da Climáximo, que criticou duramente a Galp, afirmando que as petrolíferas “sabem há décadas dos efeitos destrutivos da sua atividade sobre o clima”, ignorando os alertas da comunidade científica. No comunicado enviado à imprensa, a ativista declarou que “estas mortes não são estatísticas: são vidas reais de avós, pais, amigos, vizinhos”.
A Climáximo acusa a Galp de continuar a investir em combustíveis fósseis “em plena década decisiva para travar a crise climática”, e de “lucrar milhões à custa da destruição do planeta e da vida humana”. Segundo o coletivo, a empresa declarou uma “guerra às pessoas e ao planeta”, contribuindo para fenómenos climáticos cada vez mais letais, como as ondas de calor que têm devastado várias regiões da Europa.
O grupo ambientalista estima que, durante o mesmo período, cerca de 2.300 pessoas tenham morrido em 12 cidades europeias devido ao calor extremo, reforçando a dimensão continental do problema. A sua ação pretendeu, assim, não apenas denunciar a Galp, mas também lançar um apelo à sociedade portuguesa para não tolerar esta “injustiça profunda”.
A DGS sublinhou que o fenómeno da mortalidade por calor é agravado por fatores como a idade avançada, a precariedade habitacional e a exposição direta ao sol, afetando sobretudo idosos, grávidas, bebés e trabalhadores ao ar livre — grupos vulneráveis que, segundo os ativistas, são as principais vítimas de um sistema que continua a privilegiar os lucros da indústria petrolífera.
Com esta ação simbólica e frontal, o movimento Climáximo quis associar diretamente a responsabilidade empresarial à crise climática, reforçando que, sem mudanças estruturais, “o futuro dos nossos filhos e netos está em risco”.
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