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Associação Inspira Atitude: Transformando comunidades através da arte e cultura

Entrevista com Iza da Costa revela os desafios e conquistas de uma iniciativa que inspira jovens e adultos em Palmela e Setúbal.

Em 2013, Iza da Costa, movida por um espírito inconformista e uma vontade de fazer a diferença, fundou a Associação Inspira Atitude. Inicialmente, um grupo informal em Setúbal, a iniciativa rapidamente se tornou um pilar na comunidade, utilizando a arte e a cultura para enfrentar questões sociais. Em 2018, a associação formalizou-se e mudou-se para Palmela, vila natal de Iza, onde encontrou um terreno fértil para crescer.

Eu sou, antes de tudo, uma mãe, filha e uma pessoa que nunca se acomoda. Sou uma inconformista”, diz Iza da Costa ao descrever a si mesma. “O projeto Inspira Atitude começou em 2013 como um grupo informal em Setúbal. Escolhi Setúbal para sair da minha zona de conforto e porque queria conquistar novos territórios”, explica Iza.

A missão da Inspira Atitude sempre foi clara: sensibilizar a comunidade para problemas sociais através da arte. “Trabalhámos com todas as entidades culturais e recreativas, desde teatro a poesia, em eventos que destacavam problemas como o ‘bullying’, nosso pontapé de saída. As escolas sempre se mostraram interessadas em participar”, relembra.

Mudança para Palmela e Desafios na Bela Vista

Em 2018, a associação mudou-se para Palmela, mais propriamente para a freguesia de Quinta do Anjo, onde está até aos dias de hoje, proporcionando uma base mais estável e estruturada. “Palmela é a minha terra e aqui temos mais apoio em termos de estrutura. Isso permite que realizemos as nossas atividades de maneira mais eficiente”, afirma Iza.

Iza da Costa também compartilhou a suas experiências trabalhando na Bela Vista, um bairro social em Setúbal. “Trabalhar na Bela Vista é gratificante. Apesar do estigma de ser uma área problemática, o verdadeiro desafio é a falta de oportunidades. Muitas vezes, as pessoas são rotuladas pelo lugar onde moram, não pelas suas capacidades,” comenta. “No início do meu trabalho em associativismo, tive que usar a morada da minha mãe em Palmela para evitar preconceitos ao procurar emprego.

Multiculturalismo e Inclusão

A Inspira Atitude é conhecida por promover um ambiente multicultural e inclusivo. “Trabalhar com diferentes culturas é uma bênção. No campo de férias do ano passado, tivemos crianças de várias origens, incluindo franceses, cabo-verdianos, belgas e nepaleses. Cada uma delas compartilhou a sua cultura, enriquecendo a experiência de todos”, diz Iza.

A mentora do projeto destaca a importância de integrar todas as crianças, independentemente das suas habilidades. “Trabalhar com crianças que não têm sensibilidade para a dança e integrá-las com as que têm é um grande desafio, mas também uma grande vitória”, afirma.

Impacto da Pandemia e Planos para o Futuro

A pandemia foi um período desafiador para a associação. “Foi difícil manter as atividades. Tivemos que usar a ‘internet’, mas a dança não foi feita para o distanciamento físico. Perdemos muitas crianças, mas a situação fez-nos crescer e reajustar as nossas práticas”, explica Iza.

Para 2024, a Associação Inspira Atitude tem um calendário cheio de atividades planeadas. “Teremos workshops, tertúlias, campos de férias e queremos envolver mais os idosos, criando uma conexão intergeracional”, revela Iza. “O nosso objetivo é trabalhar com duas entidades de Palmela, promovendo atividades que envolvam tanto as crianças quanto os idosos, compartilhando conhecimentos e experiências.

Reflexão e Mensagem Final

Iza da Costa reflete sobre a sua jornada e as dificuldades encontradas. “Houve momentos difíceis, especialmente quando não tínhamos apoio das entidades locais. Mas sempre houve pessoas que nos ajudaram, como uma pessoa particular que nos ofereceu ‘tatâmis’ quando precisávamos de um chão adequado para as aulas de dança”, relembra emocionada.

Questionada sobre o que a motiva a continuar, Iza responde: “O que me faz continuar são as crianças e os pais que ainda acreditam em nós. Acredito que mudar a mentalidade das crianças pode sensibilizar os pais e, através das crianças, podemos criar uma sociedade mais justa e inclusiva.

Iza termina a entrevista, ou melhor, uma conversa informal como sempre faz com uma mensagem de esperança e união. “A mensagem mais importante, especialmente nos 50 anos de liberdade, é não rotular as pessoas. Precisamos ver as pessoas como um só e trabalhar em prol do próximo. Só assim conseguiremos criar uma sociedade mais justa e inclusiva”, conclui Iza da Costa.


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