Associação Animal contesta classificação das corridas de touros como património cultural
Associação considera «incompreensível» atribuir proteção institucional à tauromaquia e apela à participação na consulta pública aberta pelo Património Cultural
A associação Animal contestou a inscrição das corridas de touros no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial e anunciou que vai apresentar uma pronúncia formal durante a consulta pública. Além disso, apelou aos cidadãos que partilham desta posição para participarem no processo, segundo a Lusa.
O Património Cultural abriu esta sexta-feira a consulta pública para a inscrição das «corridas de toiros em Portugal» no inventário. O anúncio surgiu em Diário da República e o período de participação decorre durante 30 dias.
A presidente da associação , Rita Silva, classificou como «absolutamente incompreensível» a tentativa de atribuir «proteção, reconhecimento e legitimidade institucional» a uma atividade que, segundo a associação, implica violência sobre animais.
Processo começou há mais de cinco anos
O processo arrancou há mais de cinco anos, depois de uma proposta da Associação de Tertúlias Tauromáquicas de Portugal. Posteriormente, em 2022, a então Direção-Geral do Património Cultural pediu o aperfeiçoamento do requerimento.
Ainda assim, Rita Silva sublinhou que a oposição da Animal não pretende «apagar a tauromaquia da história portuguesa». Pelo contrário, a responsável considera que a discussão deve centrar-se na decisão de proteger ou não a prática e de a transmitir às futuras gerações.
«Infelizmente, a História está repleta de episódios vergonhosos que devem ficar no passado», afirmou, citada pela Lusa.
Por outro lado, Rita Silva defendeu que as sociedades evoluem e que a cultura acompanha essa transformação.
A Animal vai, por isso, apresentar uma pronúncia formal no âmbito da consulta pública. Ao mesmo tempo, a organização está a incentivar a participação da sociedade civil.
«A Animal está já a mobilizar a participação pública e apela a todas as pessoas que se opõem à inscrição que participem formalmente na consulta, de forma clara, fundamentada e respeitosa», refere o comunicado citado pela agência Lusa.
Associação questiona património a transmitir às próximas gerações
Segundo Rita Silva, é possível preservar e estudar a história sem manter todas as práticas que fizeram parte dela.
«Infligir sofrimento a animais para entretenimento não se torna aceitável por ser antigo, nem deve ser perpetuado porque alguém lhe chama tradição», sustentou.
Assim, para a associação, a discussão não passa pela existência histórica da tauromaquia em Portugal. Em vez disso, centra-se na escolha atual sobre as práticas que devem receber proteção patrimonial e chegar às próximas gerações.
Depois dos 30 dias de consulta pública, o Património Cultural terá 120 dias para tomar uma decisão.
Entretanto, os dados do Instituto Nacional de Estatística citados pela Lusa mostram que perto de 300 mil pessoas assistiram a espetáculos tauromáquicos em 2025. No ano anterior, o número tinha ficado nas 244 mil.
Já a Inspeção-Geral das Atividades Culturais registou 147 eventos tauromáquicos realizados em 2025, distribuídos por 63 concelhos.
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