ASAE intensifica fiscalização nas estradas: 2.500 operadores sob escrutínio
Fiscalização da ASAE leva a 33 processos por irregularidades em 2.500 operadores. Envolvidos na logística de mercadorias em Portugal.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica desencadeou uma operação nacional de fiscalização ao transporte de mercadorias que apanhou de surpresa milhares de operadores em todo o país. Mais de 2.500 fiscalizados, 33 processos abertos e apreensões que vão desde peluches a veículos — os números falam por si e levantam questões sérias sobre o que circula nas estradas portuguesas.
Chama-se “Carga Segura” e o nome não podia ser mais certeiro. A ASAE montou uma operação de escala nacional que poucos esperavam, controlando mais de 50 pontos estratégicos por todo o território — das principais vias de acesso aos grandes centros urbanos às zonas industriais, das áreas abastecedoras aos pontos fronteiriços. No total, cerca de 2.500 operadores económicos passaram pelo crivo dos inspetores, num dispositivo que contou ainda com o reforço da GNR e da PSP.
Os resultados são elucidativos. Foram instaurados 32 processos de contraordenação, com as irregularidades a concentrarem-se em três falhas recorrentes: ausência de controlo metrológico, condições de higiene deficientes no transporte de géneros alimentícios e falta de registador de temperatura nos veículos. Cada uma destas lacunas, individualmente, representa um risco real para o consumidor final — a pessoa que chega ao supermercado ou ao talho sem saber, nem imaginar, o que se passou durante o transporte daquilo que vai colocar na mesa.
Mas foi o décimo terceiro processo que mais pesou na balança. A ASAE instaurou um processo-crime por suspeita de venda ou ocultação de produtos contrafeitos — um salto qualitativo que eleva a gravidade da operação para outro patamar.
O que foi apreendido surpreende
As apreensões efetuadas no âmbito da “Carga Segura” compõem um retrato inesperado. Os inspetores retiraram de circulação 11 registadores de temperatura, dois instrumentos de pesagem — equipamentos essenciais que, na ausência de controlo, podem mascarar condições inadequadas de conservação de alimentos — e cerca de 120 brinquedos, incluindo peluches, cuja origem e conformidade com as normas de segurança em vigor levantaram suspeitas suficientes para justificar a apreensão. A fechar a lista, um veículo táxi foi igualmente retido pelas autoridades.
A mensagem é clara: ninguém fica de fora
A autoridade deixou um aviso que merece ser lido com atenção. A ASAE não fecha os olhos após uma operação — pelo contrário, reafirmou o compromisso de manter a fiscalização ativa em todas as fases da cadeia económica, desde a produção até à distribuição final. O objetivo declarado é duplo: por um lado, garantir que a concorrência entre operadores se faz de forma leal; por outro, proteger a saúde pública dos consumidores portugueses.
Não é uma questão burocrática. É uma questão de confiança — a confiança que o cidadão deposita, muitas vezes sem o saber, em todo um sistema que deveria assegurar que o que chega à sua mesa é seguro, limpo e conforme.
A operação “Carga Segura” mostrou que essa confiança nem sempre é correspondida.
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