
Os moradores das zonas afetadas pela expansão dos bairros ilegais em Almada dizem estar “no meio de um fogo político” e acusam as entidades públicas de não os deixarem participar nas soluções. A reportagem da CNN Portugal dá voz a quem vive diariamente o problema, entre obras clandestinas, ocupações irregulares e a ausência de respostas concretas por parte do Estado e da autarquia.
“Estamos aqui há anos e ninguém nos pergunta nada. Só ouvimos dizer que há queixas e guerras políticas, mas não há soluções”, lamentou Sónia, uma das entrevistadas pela CNN Portugal.
“As pessoas falam de nós, mas não connosco. Vemos casas a nascer ao lado, pedimos ajuda e ninguém aparece”, acrescentou Mónica, outra moradora da zona.
As declarações surgem poucos dias depois de a Câmara Municipal de Almada ter apresentado uma queixa-crime contra o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), acusando o Estado de omissão na fiscalização e de permitir a proliferação de construções ilegais. No entanto, para quem vive no terreno, a disputa entre entidades está a deixar as famílias “abandonadas à própria sorte”.
Segundo a CNN Portugal, as imagens captadas no local mostram ruas sem pavimento, redes elétricas improvisadas, casas erguidas em terrenos instáveis e condições de higiene precárias. Os moradores denunciam ainda a falta de acompanhamento técnico e social, temendo que o conflito entre autarquia e Estado adie qualquer tentativa de regularização.
“Estamos no meio deste fogo político e, em vez de resolverem, parece que ninguém quer sujar as mãos”, desabafou uma das residentes.
A estação sublinha que há um clima de desconfiança crescente entre os moradores, que se sentem usados como arma de arremesso político. A ausência de diálogo direto com as famílias está, segundo os testemunhos recolhidos, a agravar as tensões e a aumentar o sentimento de abandono.
Enquanto o processo judicial avança e o Ministério Público analisa a queixa-crime, as vidas nos bairros ilegais continuam suspensas — entre promessas de ação, culpas partilhadas e o silêncio das instituições.
“Não queremos viver na ilegalidade. Queremos é que nos ouçam e deixem colaborar”, concluiu uma das moradoras à CNN Portugal, num apelo que resume o desespero de quem se sente esquecido por todos os lados.
Se tiver sugestões ou notícias para partilhar com o Diário do Distrito, pode enviá-las para o endereço de email geral@diariodistrito.pt
Sabia que o Diário do Distrito também já está no Telegram? Subscreva o canal.
Já viu os nossos novos vídeos/reportagens em parceria com a CNN no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!
Siga-nos na nossa página no Facebook! Veja os diretos que realizamos no seu distrito







