Durante a manifestação convocada por estudantes em frente à Escola Básica e Secundária de António Gedeão, os jornalistas do Diário do Distrito tiveram acesso exclusivo ao interior da escola na Cova da Piedade, em Almada. Entre salas de aula com “condições degradantes”, sem pavimento e material antigo, balneários com bolor e sem chuveiros ativos e um refeitório “sem condições”, os funcionários acusam o executivo de Inês de Medeiros (PS) de “não querer saber”.
“Os engenheiros da câmara vieram cá em setembro e foi preciso convencê-los a fechar a cozinha da cantina”, explica Arminda (nome fictício). A funcionária, que foi aluna na mesma escola “há mais de 20 anos”, mostra-nos as condições da antiga cozinha do refeitório, explicando que foi necessário convencer o município a arranjar uma solução provisória, mesmo com baratas no chão e uma infestação de ratos.



“Não acreditavam que tínhamos ratos. Um dos engenheiros disse que não via ratos e que por isso não fazia sentido fechar a escola, apontei-lhe para um dos lavatórios onde costumam estar as fezes das ratazanas”, explica Arminda.
Depois da visita do município no inicio do ano lectivo foi arranjada uma solução que era suposto ser provisória – construir um monobloco embutido na estrutura da escola – esta situação mantém-se e é nesse local onde encontramos a nova cantina e o ATL, este último instalado atrás de uma cortina que o separa do refeitório.


Mesmo ao lado da cantina, no Bloco D, estão as salas em estado mais crítico, em que praticamente todas as salas têm um “quadro interativo”, mas não têm janelas, pavimento e as paredes estão cobertas de bolor. No que diz respeito ao chão das salas, em vez do pavimento normal, há uma camada de terra descoberta.
“Uma pessoa farta-se de limpar a sala mas mesmo assim isso levanta poeira para os alunos, os professores muitas vezes dizem que não têm condições de dar as aulas”, confessa-nos outra funcionária. Os buracos visíveis no chão, juntamente com as mesas e cadeiras antigas, fazem destas salas parecerem “estar ao abandono”, ficando para as funcionárias “a sensação de que a câmara não quer saber”.
Outro caso particular é a zona poliesportiva da escola, onde existe um pavilhão com “problemas de infiltrações graves”, que inunda constantemente, sendo que por várias vezes caíram bocados do telhado. Mesmo ao lado do pavilhão encontra-se uma fila de monoblocos montados para receber partes dos alunos que estavam a ter aulas no bloco demolido, cuja “falta de condições humanas” motivaram os alunos a avançar com o protesto.
Nos balneários exteriores a situação agrava-se: nenhum dos chuveiros funciona, a zona das caldeiras está em decomposição e o interior dos balneários tem o teto cheio de bolor. No que já foram outrora os espaços de tomar banho é possível ver-se ferrugem a escorrer dos canos.
No que diz respeito ao bolor e à manutenção diária dos balneários é o próprio funcionário que assegura todos os dias, sendo que já tomou iniciativa para avançar e pintar o teto no balneário feminino. Segundo o funcionário responsável pelos balneários, “os engenheiros da câmara passaram para tirar fotografias e apontar notas, mas nunca fizeram nada”.
Não esteve presente nenhum membro do executivo da parte do PS e não foi apresentada nenhuma proposta de melhoria neste novo mandato. Não apareceu nenhum dos partidos da oposição, nomeadamente o Chega e o PSD. Só a Coligação Democrática Unitária (PCP e PEV) apareceu para mostrar a sua solidariedade com os estudantes, professores e funcionários daquela escola.
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