Setúbal
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Arrábida volta ao centro da polémica com caminhada em Setúbal

Comunidade setubalense une-se em caminhada para preservar as praias da Arrábida, ameaçadas por diversos fatores ambientais.

A serra e as praias da Arrábida tornaram-se palco de uma disputa crescente entre o acesso público e um conjunto de restrições que parte da sociedade civil recusa aceitar. Com o mote «Deslarrrguem a Arrábida!», uma coligação de cidadãos, associações e representantes políticos prepara uma marcha com partida às 10h00 junto ao restaurante Restinguinha, nos arredores de Setúbal, que terminará em piquenique no Parque da Comenda.

A iniciativa nasce de um contexto de contestação acumulada. Por um lado, a Câmara Municipal de Setúbal instalou uma barreira no início da estrada de acesso às praias e à serra, justificando a medida pela deterioração de vários troços da via, provocada pelas tempestades que assolaram a região em janeiro e fevereiro. Por outro, os atuais proprietários da Herdade da Comenda prosseguem em tribunal a reivindicação de plena propriedade sobre cinco praias — Albarquel, Maria Esguelha, Rainha, Comenda e Rasca —, o que os organizadores consideram uma tentativa de privatização de espaços que sempre pertenceram ao usufruto coletivo.

Entre os primeiros signatários da convocatória figuram o professor universitário e ambientalista Viriato Soromenho Marques, Maria Prata, do movimento «Reopen Galé», a associação «Dunas Livres» e Daniela Rodrigues, em representação do Bloco de Esquerda de Setúbal. Para os promotores, o acesso livre às praias, ao parque de piqueniques e à serra da Arrábida constitui um direito que não pode ser negociado nem condicionado, seja por razões logísticas, seja por litígios de natureza privada.

A mobilização ganhou forma durante um debate público organizado pelo Bloco de Esquerda no domingo anterior, que atraiu cerca de 150 pessoas ao Parque Urbano do Albarquel. Foi nesse encontro que a ideia de uma marcha de protesto tomou forma, traduzindo em ação coletiva uma inquietação que, segundo os organizadores, vai além das filiações partidárias ou associativas.

A Arrábida, classificada como parque natural desde 1976 e reconhecida pela excecional qualidade das suas águas e paisagens, tem sido alvo de pressões crescentes entre preservação ambiental, acesso popular e interesses privados. A caminhada prevista procura precisamente colocar esta tensão no centro do debate público.


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