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Opinião

Arrábida sem carros: afinal, era mesmo preciso

Trânsito na Arrábida: desafios pós-verão

Há decisões que não agradam a todos. E depois há decisões que, mesmo não agradando a todos, se percebem melhor quando vemos aquilo que acontece quando deixam de existir.

A Arrábida sem carros durante a época balnear foi, para muitos, um incómodo. Para outros, uma afronta. Houve quem reclamasse, quem protestasse e quem dissesse que era um exagero.

Mas talvez seja altura de olhar para os factos.

A época balnear terminou. As barreiras de trânsito foram retiradas. E bastaram poucos dias para percebermos o que pode acontecer quando todos querem passar, estacionar e circular ao mesmo tempo numa das estradas mais bonitas, e mais sensíveis do nosso concelho.

Autocarros de transporte público demoraram horas a fazer percursos que habitualmente fazem em muito menos tempo. Carros estacionados onde não deviam. Em cima dos passeios, a bloquear passagens. Estradas condicionadas por estacionamento desordenado. E uma circulação que rapidamente se transforma num problema para todos.

Agora imagine-se isto em pleno verão.

Imagine-se com milhares de pessoas a querer chegar à praia, famílias, crianças, bicicletas, motociclos, autocarros, veículos de emergência e centenas de automóveis a disputar o mesmo espaço.

Não é difícil perceber que a questão nunca foi apenas chegar à praia de carro.

A questão é chegar em segurança e permitir que todos possam circular em segurança.

A Arrábida é um património extraordinário, mas também é uma serra com características próprias, com uma estrada que não pode ser tratada como uma avenida de cidade.

Por isso, sim: a Arrábida sem carros pode ter sido um incómodo para alguns. Mas foi também um mal necessário para proteger todos.

E talvez o melhor argumento não esteja numa discussão política, nem numa opinião pessoal.

Está no que aconteceu quando as barreiras desapareceram.

Porque às vezes é preciso deixar a realidade falar.

E a realidade, nesta Arrábida de todos nós, parece estar a dizer-nos uma coisa muito simples:

Se queremos continuar a desfrutar da Arrábida, temos primeiro de garantir que conseguimos chegar lá… e, sobretudo, que conseguimos sair dela em segurança.

Feliz outubro para todos!

Helena Coelho

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