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Após internamento no Barreiro, família denuncia condições no Montijo

Maria Janeiro afirma que ela e a irmã se sentem "obrigadas a abandonar" a mãe numa unidade de retaguarda e contesta as condições das instalações.

Do Barreiro para o Montijo, a situação volta a ser contestada

A mãe de Maria Janeiro esteve internada durante cerca de três meses no Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, segundo o relato da filha. Depois desse período, a doente foi transferida para o Serviço de Medicina de Retaguarda, no Montijo, onde a família diz ter encontrado condições que considera inadequadas.

Maria Janeiro voltou esta quinta-feira às redes sociais para relatar a situação. Na publicação, afirma que ela e a irmã se sentem “obrigadas a abandonar” a mãe naquela unidade e manifesta “mágoa e revolta” perante o atual cenário. A familiar critica sobretudo as condições das instalações e compara-as com aquelas que encontrou durante o internamento da mãe no Barreiro.

Família distingue instalações do trabalho das equipas

Apesar das críticas, Maria Janeiro faz questão de esclarecer que a contestação não se dirige às equipas médica e de enfermagem que acompanham a mãe no Serviço de Medicina de Retaguarda.

A familiar centra as críticas nas condições físicas das instalações, que descreve como degradadas, e questiona a diferença entre o espaço onde a mãe esteve anteriormente internada e a unidade para onde foi entretanto encaminhada.

Maria Janeiro publicou ainda fotografias que, segundo afirma, mostram as condições da cama e das instalações no Montijo, colocando-as em comparação com imagens do período anterior no Barreiro.

Alegadas falhas na informação clínica

A denúncia da família não se limita às condições físicas da unidade. Maria Janeiro aponta também alegadas falhas na informação médica transmitida entre o Serviço de Medicina Interna B do Hospital do Barreiro e a equipa que recebeu a doente no Montijo.

Segundo a familiar, a médica que recebeu a mãe na unidade de retaguarda terá ficado surpreendida com a informação constante do relatório enviado pelo serviço do Barreiro e com o estado de saúde que encontrou no momento da admissão. O Diário do Distrito não teve acesso ao relatório clínico referido pela familiar nem dispõe, até ao momento, de confirmação independente sobre o conteúdo da informação transmitida entre os dois serviços.

Maria Janeiro critica igualmente o acompanhamento social do processo e afirma que uma primeira reclamação apresentada pela família supostamente não foi aceite pelo Conselho de Administração e pelo departamento jurídico do hospital.

Nova denúncia surge depois do caso do calor no Barreiro

A nova publicação surge cerca de um mês depois de uma primeira denúncia pública relacionada com a mesma família e com o internamento da doente no Hospital Nossa Senhora do Rosário. A 12 de julho, o Diário do Distrito noticiou uma publicação na qual eram denunciadas temperaturas elevadas no interior do Hospital do Barreiro, nomeadamente no Serviço de Medicina B, bem como alegada falta de ar condicionado e de água para os doentes (podem saber mais aqui).

Na altura, o nosso jornal procurou obter esclarecimentos junto da administração do Hospital Nossa Senhora do Rosário sobre as alegações apresentadas. Até ao fecho dessa notícia, não havia uma resposta, tendo o jornal deixado expressa a disponibilidade para publicar os esclarecimentos da Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho.

No entanto, a situação agora denunciada ocorre já numa fase diferente do percurso da doente, após a transferência para a unidade de retaguarda no Montijo.

Serviço de Medicina de Retaguarda do Montijo acolhe doentes após alta clínica

Além do referido, importa salientar que o Serviço de Medicina de Retaguarda do Montijo destina-se a doentes que já receberam alta clínica, mas que aguardam integração na Rede de Apoio Social ou o regresso ao domicílio.

Em novembro de 2025, a Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho indicou que pretendia aumentar a capacidade do serviço de 25 para 50 camas e melhorar a sua gestão e funcionamento (podem saber mais aqui).

Essa informação permite enquadrar a função da unidade, mas não permite concluir que as condições atualmente denunciadas pela família representem a situação geral do serviço.

Família promete continuar a contestar

Por fim, Maria Janeiro termina a publicação afirmando que a família pretende continuar a contestar a situação e deixa em aberto novos desenvolvimentos. As críticas relativas às instalações, à transferência da doente e à informação clínica permanecem, nesta fase, como denúncias da família, não tendo então o nosso jornal confirmação independente de todos os factos relatados.

Dessa forma, o Diário do Distrito aguarda novamente por esclarecimentos da Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho. Caso a ULSAR dê o seu parecer, o Diário do Distrito dará espaço aos esclarecimentos da entidade responsável e atualizará a informação.


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