Antiga adjunta de Luís Neves soube pela televisão do caso do atrelado
Luísa Proença, que exerceu funções como diretora nacional-adjunta da Polícia Judiciária durante o período em que Luís Neves liderou a instituição, afirmou não ter tido qualquer conhecimento da deslocação do atrelado apreendido na Operação Pacoba para Barcelos, apesar de ter sob a sua tutela a área responsável pela gestão dos bens apreendidos.
O caso do atrelado apreendido no âmbito da Operação Pacoba ganhou um novo capítulo com as declarações de Luísa Proença, antiga diretora nacional-adjunta da Polícia Judiciária (PJ), que garante nunca ter sido informada da transferência do equipamento para Barcelos.
Segundo revelou à CNN Portugal, a ex-dirigente da PJ afirmou não ter tido qualquer conhecimento da deslocação do atrelado, que se encontrava apreendido numa investigação relacionada com tráfico de droga e que acabou por ser encontrado junto das instalações da empresa Construbarcelos.
“Não tive qualquer conhecimento da ida para Barcelos de um atrelado apreendido no âmbito de um processo”, afirmou Luísa Proença à estação televisiva.
A declaração assume particular relevância por ter sido a responsável pela Direção de Serviços de Gestão Financeira e Patrimonial da PJ durante os anos em que Luís Neves dirigiu a instituição. Sob a sua alçada encontrava-se a unidade responsável pela gestão e guarda dos bens apreendidos pela polícia.
A antiga dirigente revelou ainda que apenas tomou conhecimento da situação através das notícias divulgadas pelos órgãos de comunicação social.
O atrelado em causa tinha sido apreendido no âmbito da Operação Pacoba, investigação que levou ao desmantelamento de um alegado laboratório de droga na zona Oeste do país, em dezembro de 2024. Posteriormente, o reboque foi encontrado em Barcelos, junto da empresa Construbarcelos, cujo proprietário realizou obras para a Polícia Judiciária durante o mandato de Luís Neves e que mais tarde efetuou trabalhos numa propriedade do atual ministro da Administração Interna.
A polémica tem motivado várias investigações. O Ministério Público confirmou a abertura de um inquérito para apurar as circunstâncias da deslocação do atrelado e assumiu diretamente a condução do processo, sem o delegar, para já, na Polícia Judiciária.
Entretanto, também a própria PJ terá detetado indícios que justificaram a abertura de averiguações internas relacionadas com o caso.
Luís Neves já anunciou que está a reunir documentação e informações para responder às questões levantadas em torno desta polémica, que continua a marcar a atualidade política e judicial.
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