AlmadaDesportoDestaqueDistrito de SetúbalDistritosEducaçãoEntrevistaObrasPolíticaReportagem

Alunos denunciam condições “degradantes” na Escola Anselmo de Andrade

A Associação de Estudantes da Anselmo de Andrade denuncia a degradação de instalações sem obras desde a década de 1980 e acusa a Câmara Municipal de Almada de “desresponsabilização” perante as infiltrações e falta de condições no pavilhão desportivo. 

Desde a década de 1980 que a Escola Secundária Anselmo de Andrade funciona nas mesmas instalações, sem que tenha sido feita qualquer renovação estrutural. O pavilhão gimnodesportivo, competência do município de Almada, só viria a ser inaugurado em 2004.

Há vários anos que a escola carece de obras, sendo que, em 2024, foi também notícia por ter encerrado devido à falta de funcionários. Daniel Silva, presidente da Associação de Estudantes, denunciou ao Diário do Distrito as condições em que cerca de 1200 alunos têm aulas, apontando o pavilhão gimnodesportivo como um dos principais problemas.

Daniel Silva tem 18 anos e estuda na Escola Anselmo de Andrade desde o seu 5º ano, onde fez a maior parte do seu percurso de ensino, estando agora no 12º ano, prestes a acabar o secundário. Diz ter visto “com os seus próprios olhos” a degradação das infraestruturas. “Esta escola tem condições muito más e está cada vez pior, mais degradada, a parte do pavilhão piorou ano após ano. No ano de 2023 caiu parte do teto do pavilhão, no ano de 2024 houve inundações no ginásio e, agora, no ano lectivo de 25/26, houve novamente inundações e infiltrações”. 

“Os próprios professores de Educação Física, muitas vezes, negam-se a dar aulas porque não há condições e ninguém nos ouve”, disse-nos Daniel, enfatizando como a falta de condições de segurança prejudica a qualidade do ensino desportivo destes estudantes. “Em vez de termos as aulas que estavam previstas, temos apenas uma parte dessas aulas”. 

Para além das condições “degradantes” para a prática desportiva, o presidente da AE falou-nos nos balneários, denunciando que existem “paredes esburacadas”, “sem torneiras” e “chuveiros cheios de ferrugem”. Com um edifício manifestamente em mau estado, desgastado pela humidade, com canos enferrujados e janelas partidas, Daniel Silva explicou-nos que, dadas as condições, “ninguém toma banho na escola depois da aula de Educação Física por causa das condições dos balneários”. 

No que diz respeito aos edifícios da escola e às próprias salas de aula, que remontam à década de 1980, mantêm-se praticamente inalterados, sendo que existem problemas visíveis na instalação elétrica, o que pode configurar problemas de segurança graves. 

“Há falta de isolamento e problemas de bolor em muitas das salas de aula”, explica Daniel Silva, que fala em tentativas “residuais” de “renovar” as salas de aula”. Disse-nos ainda que o último investimento significativo de que tem memória foi a construção de um pequeno telheiro entre blocos para que os estudantes se possam abrigar da chuva. Referiu também que, quando estava no 9º ano, “instalaram projetores em todas as salas”, contudo, desde o primeiro momento, “que muitos que não funcionam pela falta de cabos HDMI para ligar ao computador”.

Daniel Silva denuncia também a falta de espaços para os estudantes dentro do recinto da escola, em particular numa altura em que foi proibida a utilização de telemóveis. “Não estou a julgar a proibição dos telemóveis, se é má ou se é boa, mas quando isto acontece, falta a parte do lazer. O que é que o estudante faz nesta escola se não há um espaço exterior para jogar à bola, um espaço de estudo, um espaço de convívio e de lazer, com jogos e matraquilhos?”

O presidente da AE e representante dos alunos Conselho Geral considera que, embora a direção da escola “reivindique e denuncie estes problemas à Câmara Municipal, afirmam-se sempre dentro dos processos institucionais a que têm acesso, como as reuniões de Conselho Geral, ou durante as visitas da Câmara e da Freguesia”. Como estudante, considera que não é suficiente. “Nunca os vi a ir a uma Assembleia Municipal ou Reunião de Câmara colocar estas questões”.

“Quando é que será a altura certa para resolverem o problema?”

Como solução, Daniel Silva defende que os estudantes se devem organizar entre si e reivindicar mais intervenções e melhorias na escola, e que a Associação de Estudantes é a melhor forma de o fazer, através de iniciativas como um abaixo-assinado. Por isso, em maio de 2025, Daniel esteve presente na Assembleia Municipal, onde entregou um abaixo-assinado organizado pela AE com 400 assinaturas recolhidas “que exigia a reparação urgente” do ginásio desportivo.

Mais recentemente, a Associação de Estudantes da Escola Anselmo de Andrade interveio na Assembleia Municipal, no passado dia 22 de dezembro de 2025, onde a presidente Inês de Medeiros dirigiu-se a Daniel Silva com a garantia de que havia um “investimento previsto” para os balneários exteriores e que os restantes problemas já “estavam identificados” pelo executivo, mas que muitas das escolas que passaram para a CMA com a transferência de competências, “estão em estado miserável”.

Contudo, a Associação de Estudantes da escola considera inaceitável a “constante desresponsabilização da Câmara Municipal”, considerando que já houve tempo suficiente para agir. “Quando caiu o teto, foi uma boa oportunidade para resolverem alguma coisa e não resolveram. Quando houve as cheias dentro do pavilhão, também não resolveram o resto. Quando é que será a altura certa para resolverem o problema?”

Na mesma reunião, o Vice-Presidente, Filipe Pacheco, afirmou que “a escola tem tido várias intervenções“ nomeadamente nos balneários e iluminação exterior dos campos de jogos”, mas segundo a AE estas intervenções são insuficientes e os problemas persistem. 

“O pavilhão já tinha sido intervencionado noutra área. Há um novo problema, portanto aquilo que vamos fazer é uma dimensão rápida de resolução, tão breve quanto a contratação pública permitir”, explicou Filipe Pacheco.

Contudo, para a AE, a resposta da Câmara Municipal de Almada sobre as condições de ensino na Escola Anselmo de Andrade não tem dado garantias aos estudantes, pais, professores e funcionários, em particular sobre o pavilhão desportivo, que é da responsabilidade exclusiva da autarquia. A direção da escola foi contactada pelo Diário do Distrito e até agora não prestou qualquer declaração, nem respondeu ao pedido de entrevista. 


Se tiver sugestões ou notícias para partilhar com o Diário do Distrito, pode enviá-las para o endereço de email geral@diariodistrito.pt


Sabia que o Diário do Distrito também já está no Telegram? Subscreva o canal.
Já viu os nossos novos vídeos/reportagens em parceria com a CNN no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!
Siga-nos na nossa página no Facebook! Veja os diretos que realizamos no seu distrito

fertagus