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Alta velocidade cai em cima das empresas

A futura ligação ferroviária de alta velocidade entre Lisboa e Madrid vai avançar com dezenas de expropriações no distrito de Setúbal, atingindo empresas de grande dimensão e levantando novos receios sobre o impacto económico do projeto no terreno.

A construção do troço entre Poceirão e Bombel, peça integrada na modernização da Linha do Alentejo e na futura ligação de alta velocidade entre Lisboa e Madrid, vai obrigar à expropriação de mais de 70 parcelas de terreno, numa área total superior a 290 mil metros quadrados.

Entre os proprietários afetados surgem algumas das empresas mais relevantes com presença na região e no país. Estão em causa terrenos ligados à Navigator, à produtora de vinhos Casa Ermelinda Freitas, à construtora espanhola Sacyr e a uma participada do Super Bock Group, além de propriedades do Estado, da Fundação Casa de Bragança e de vários particulares.

O caso da Casa Ermelinda Freitas é apontado como um dos mais delicados neste processo. A preocupação da empresa vai além da simples perda de área, uma vez que a expropriação poderá ter reflexos diretos na organização da exploração agrícola e na própria capacidade produtiva, numa zona onde a atividade vitivinícola assume peso económico relevante.

Também outras empresas abrangidas poderão enfrentar constrangimentos na sua atividade, numa altura em que os contornos finais das indemnizações e compensações ainda não estão totalmente fechados. O processo, apesar de enquadrado numa operação considerada estratégica, começa assim a revelar custos concretos para o tecido empresarial instalado no distrito.

O troço Poceirão Bombel é visto como um ponto decisivo para assegurar a continuidade da futura linha internacional em direção a Badajoz, numa infraestrutura que pretende aproximar Lisboa e Madrid e reduzir o tempo de viagem para cerca de três horas. A aposta é apresentada como central para reforçar a competitividade do comboio face ao transporte aéreo e para consolidar a ligação ferroviária ibérica.

O projeto encontra-se numa fase adiantada de preparação e as expropriações são tratadas como passo necessário para permitir o arranque das obras. A concretização global da ligação de alta velocidade está apontada para a próxima década, com horizonte em 2034, dependente da execução faseada dos vários troços e do financiamento associado.

Apesar da importância estratégica da nova linha, a contestação poderá crescer à medida que o processo avançar no terreno, sobretudo se os valores de compensação não corresponderem às expectativas dos proprietários afetados. O arranque desta obra, uma das mais ambiciosas no plano das infraestruturas em Portugal, começa assim a expor uma frente sensível: o preço pago por empresas e proprietários para abrir caminho à alta velocidade.


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