
O encerramento da urgência de obstetrícia do Hospital do Barreiro provoca novas críticas na Península de Setúbal. A Comissão de Utentes da Saúde do Concelho do Seixal considera que a transferência da resposta para o Hospital Garcia de Orta, em Almada, poderá criar uma pressão ainda maior sobre uma unidade que já enfrenta constrangimentos.
A posição foi assumida num comunicado aprovado após uma reunião do órgão executivo da comissão, realizada a 9 de março. No texto, a estrutura contesta a solução desenhada para a região e rejeita a concentração da urgência de ginecologia e obstetrícia numa única unidade hospitalar.
Para os utentes, esta alteração representa mais do que uma simples reorganização dos serviços. A comissão entende que a distância entre os concelhos atualmente servidos pelo Hospital do Barreiro e a unidade de Almada poderá dificultar o acesso atempado a cuidados e aumentar os riscos para grávidas e parturientes em situações de urgência.
A estrutura do Seixal associou-se à oposição já expressa por outras comissões de utentes da região, bem como à mobilização popular que se fez sentir junto ao Hospital do Barreiro. Também vários autarcas manifestaram publicamente discordância com a medida e defenderam a sua revisão.
No entendimento da comissão, a mudança anunciada poderá agravar limitações já sentidas no terreno e deixar a resposta obstétrica da Península de Setúbal ainda mais frágil. A mesma estrutura alerta para a possibilidade de continuarem a ocorrer partos fora do contexto hospitalar, cenário que considera especialmente preocupante face às distâncias envolvidas e à necessidade de acompanhamento em ambiente clínico adequado.
A ministra da Saúde indicou que a nova urgência regional de ginecologia e obstetrícia no Hospital Garcia de Orta avançará quando estiver concluída a articulação das escalas entre equipas, sem apontar uma data concreta para o arranque. Dias antes, tinha admitido no parlamento que essa resposta entrasse em funcionamento ainda durante o mês de março.
Segundo a tutela, os profissionais do Barreiro com condições para assegurar trabalho de urgência poderão integrar este novo modelo, que está a ser articulado entre unidades hospitalares e a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde.
A Comissão de Utentes da Saúde do Concelho do Seixal sustenta, no entanto, que os problemas do Serviço Nacional de Saúde são mais profundos e exigem soluções duradouras. A estrutura defende reforço de investimento, valorização dos profissionais e estabilidade na organização dos serviços, em vez de respostas pontuais.
Outro dos argumentos invocados prende-se com a dimensão populacional da área abrangida. Os quatro concelhos servidos pelo Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, somam 232.604 habitantes. Já a Península de Setúbal, distribuída por nove concelhos, tem 834.599 residentes, segundo dados indicados no texto de base.
Com a contestação social e política a crescer, o fecho da urgência obstétrica do Barreiro continua a marcar o debate sobre o acesso aos cuidados de saúde materna no distrito de Setúbal.
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