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Almada | Na véspera do caos – Parte II

O Concelho de Almada

A margem sul do Tejo foi o grupo mais concorridos no concurso inicial. Só para este grupo surgiram 4 empresas concorrentes. Duas eram portuguesas: A. da Costa Reis & Filhos, que gere os autocarros Espírito Santo, em Gaia; e a Auto Viação Cura, que opera na zona de Viana do Castelo. As outras eram britânicas: a TST, detida pela Arriva, que atualmente opera nos municípios do sul da AML; e a Nex Continental Holdings, detida pela National Express, que tinha ficado com a subconcessão da STCP no final de 2015 – entretanto anulada após a saída do governo de Passos Coelho. 

O Lote três (sudoeste), que serve os concelhos de Almada, Seixal e Sesimbra, e intermunicipais de ligação ao Barreiro e Lisboa, foi ganho pela TST, com uma idade média da frota no início de atividade, de cerca de 11 meses. O lote 3 vai ter 116 linhas (43 novas) nos concelhos de Almada, Seixal e Sesimbra, representando 18% da procura. Esta zona vale cerca de 273 milhões de euros.

Em Maio deste ano, a Arriva vendeu o negócio de transportes em Portugal, que inclui a Transportes Sul do Tejo, ao grupo Dan, o segundo maior operador de transportes em Israel. Sem revelar os valores do negócio, a empresa garantiu que a operação deverá ficar concluído até ao próximo mês de Agosto. Como noticiou o Diário do Distrito na altura o valor do negócio não foi revelado e os trabalhadores da TST foram transferidos para o grupo DAN.

As viaturas da Iveco foram oficialmente entregues à TST, dia 24 de Junho, para entrarem em serviço a 1 de Julho. Os 290 autocarros amarelos são os que serão operados pela transportadora na Área 3 da nova rede Carris Metropolitana.

Em reunião da Câmara Municipal de Almada (CMA) e na de Assembleia Municipal de Almada (AMA), Inês de Medeiros presidente da CMA, foi peremptória ao afirmar que a CMA tinha enviado o plano de transportes atempadamente para a AML; que houve várias reuniões com a mesma entidade para assegurar que tudo iria decorrer pacificamente e sem prejudicar os utentes; que não iriam ser suprimidas linhas apesar dos trajectos serem diferentes nalgumas delas para melhor. O que tinha mudado segundo ela, era a numeração das linhas agora antecedidas pelo número 3 na sua numeração. Garantiu ainda que tinha havido um estudo aprofundado antes desse plano de transportes ter sido feito e, que o seu resultado melhorava os transportes públicos no concelho de Almada. 

Havia no entanto dois problemas que não eram responsabilidade da CMA. Um deles prendia-se com o facto de a partir da ponte 25 de Abril os transportes públicos serem da responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e desta ter decidido criar uma grande interface de transportes em Sete Rios. Ou seja, todos os autocarros com trajecto de e para Lisboa tinham sido afectados por esta decisão de Lisboa. Inês de Medeiros a este propósito afirmou na reunião camarária de 20-06-2022 à pergunta da vereadora Joana Mortágua do BES sobre a supressão de linhas de e para Lisboa “Lisboa tomou a decisão na gestão do seu território de concentrar e fazer um grande interface. Foi uma opção. A CMA já expressou a sua apreensão à CML. Almada não aceitaria de todo a eliminação de carreiras sem a devida substituição e quero aqui dizer que na rede que foi apresentada a concurso houve um trabalho de racionalização e de reforço de carreiras por trajecto. Não há menos transporte na Costa, pode é haver mais carreiras com mais frequência no mesmo trajecto.” Ainda sobre a supressão de carreiras disse “As pessoas vão ter de assimilar novas carreiras, com novas designações, com mais horários. Não vai haver menos serviço, mas sim mais serviço. Vai haver um reforço de 20% mesmo com estas duas dificuldades.”

O outro problema prendia-se com o facto da Carris Metropolitana não ter recursos humanos suficientes para assumir estar operação no concelho de Almada em pleno. A falta de motoristas e sua formação fariam com que toda a operação fosse faseada e só se encontrasse a operar em pleno em Janeiro de 2023, contrariamente ao que tinha sido dito desde o inicio do processo. “ Com um serviço anterior tão deficitário deveríamos avançar para mais. Por motivos que ultrapassam o município inicialmente é o que teremos. Depois será um processo evolutivo ao longo de Setembro e Outubro. Agora estamos dependentes do recrutamento e da formação dos motoristas para oficializar o que foi contratado. Não tenho dúvidas que mesmo com este processo no terreno ainda teremos caminho pela frente.”

José Pedro Ribeiro, o vereador da CMA responsável pelos Pelouros de Infraestruturas e Obras Municipais, Administração Urbanística, Economia e Desenvolvimento Local, disse na mesma ocasião: “Este projecto foi desenvolvido pela TML (Transportes Metropolitanos de Lisboa), responsável pela gestão de todos os transportes nesta zona. Neste momento bate-se com o problema de falta de motoristas e avançou com uma proposta ao município que apresenta limitações e é aquela que temos de aceitar, para não impedir o avanço da operação. É no espírito de boa fé que a CMA está presente neste projecto e, acreditamos que a TML está em condições de iniciar o projecto dia 1 de Julho sendo que a sua plenitude só irá ocorrer perto do final de ano. Acreditamos que a TML fará todos os esforços para esta operação decorrer com naturalidade e vá de encontro às necessidades dos nossos munícipes.” . O conselho de administração da TML é composto por pessoas indicadas pelos 18 municípios que compõem a AML. 

No Sábado passado a TST/Arriva/DAN anunciaram os horários para as linhas da Carris Metropolitana como noticiou o Diário do Distrito e foi aqui que começou todo o alvoroço por parte dos utentes. Estes, tendo apenas acesso aos horários e percursos cinco dias antes da mudança efectiva, puderam constatar que várias linhas tinham sido suprimidas com especial enfoque nas de e para Lisboa, alguns horários não se adequavam aos transbordos com outros meios de transportes para que pudessem chegar a tempo aos postos de trabalho e, muitas linhas tinham percursos diferentes dos anteriores obrigando a mais tempo nas deslocações diárias. 

Vejamos na Parte III, freguesia a freguesia, o que se passa na véspera pela boca dos munícipes

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