Almada: Movimento Futuro da Costa pede mudança no modelo do Sol da Caparica e exige avaliação pública do festival
Movimento Futuro da Costa enviou carta aberta a autarcas
O Movimento Futuro da Costa quer uma mudança profunda no modelo do festival Sol da Caparica e defende que a Câmara Municipal de Almada promova uma avaliação pública da última edição antes de decidir o futuro do evento.
Numa carta aberta dirigida à autarquia, com conhecimento da Junta de Freguesia da Costa da Caparica, e divulgada nas redes sociais, o movimento considera que o debate sobre o festival não deve ficar limitado ao número de espectadores, aos concertos ou aos resultados comerciais.
Em causa está o impacto que o evento tem no quotidiano da população e a forma como os benefícios gerados pelo festival são distribuídos pela freguesia.
«O Sol da Caparica terminou» é a frase que abre a carta, na qual o movimento sublinha, contudo, que não pretende acabar com o festival.
O objetivo, afirma, é alterar o modelo atualmente seguido.
Entre os principais impactos apontados estão o ruído, o trânsito, a falta de estacionamento, a ocupação do espaço público, a limpeza, a segurança e os constrangimentos à circulação e à vida quotidiana dos residentes.
Para o Movimento Futuro da Costa, a Costa de Caparica não deve ser apenas o território onde o festival é instalado, mas deve participar diretamente nos seus benefícios.
Entrada gratuita e maior envolvimento do comércio local
Entre as propostas apresentadas está a redução da duração e da dispersão do evento, através de um palco principal e três dias de programação.
O movimento defende também que a entrada seja gratuita, com o financiamento a resultar de uma combinação de investimento municipal, patrocínios, concessões, restauração e outras receitas associadas ao festival.
Outra das reivindicações passa por uma maior participação dos comerciantes locais. A organização considera que devem ser criadas condições para que o comércio da Costa de Caparica beneficie diretamente do aumento do número de visitantes durante o evento.
A programação deverá ainda, segundo a proposta, ser pensada para residentes, famílias, jovens e visitantes, reforçando a ligação entre o festival e a comunidade local.
Movimento critica condicionamento do espaço público
A utilização do espaço público é outra das questões levantadas na carta. O Movimento Futuro da Costa considera «inaceitável que equipamentos e zonas destinadas à população, incluindo parques infantis e áreas de lazer, possam permanecer condicionados ou encerrados durante semanas devido à realização do festival».
Defende, por isso, regras mais claras relativamente à montagem e desmontagem das estruturas, aos horários e ao ruído, bem como um plano obrigatório de limpeza e reposição do espaço público após o evento.
A segurança e a assistência médica deverão igualmente, segundo o movimento, ser dimensionadas de acordo com a dimensão e o perfil do público.
Na carta, o Movimento Futuro da Costa pede ainda uma avaliação mais abrangente por parte da Câmara Municipal de Almada.
Além do impacto económico global, essa avaliação deveria incluir os efeitos sobre o comércio local, o trânsito e o estacionamento, o ruído e a qualidade de vida dos moradores, a utilização do espaço público, a segurança, a assistência médica e os custos de limpeza e reposição, e que seja analisada a relação entre o investimento público e o retorno efetivo para a população da Costa da Caparica.
Por esse motivo, defende que nenhuma nova edição seja decidida sem uma avaliação formal da edição anterior e sem ouvir previamente moradores, comerciantes, associações e a Junta de Freguesia.
Como medida concreta, o Movimento propõe que a Câmara Municipal de Almada promova uma reunião pública de avaliação do festival e abra um processo de participação local antes de definir o modelo da próxima edição.
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