Almada: CHEGA acusa Inês de Medeiros de querer expulsar munícipes em Assembleia Municipal extraordinária
Assembleia Municipal extraordinária de Almada discutiu moção de censura ao executivo camarário
O Grupo Municipal do CHEGA em Almada acusou a presidente da Câmara Municipal, Inês de Medeiros, de ter assumido uma postura ‘autoritária e desrespeitosa’ durante a reunião extraordinária da Assembleia Municipal.
A reunião, realizada na noite de terça-feira no Fórum Romeu Correia, e que durou mais de cinco horas, foi convocada para discutir uma moção de censura ao executivo camarário apresentada pelo CHEGA, PSD e Iniciativa Liberal.
Em comunicado enviado ao Diário do Distrito, os deputados municipais do CHEGA afirmam que «a sessão ficou marcada por momentos de tensão, motivados pela presença de mais de uma centena de munícipes no Fórum Romeu Correia, muitos dos quais, segundo o partido, não conseguiram entrar devido à lotação da sala».
De acordo com o CHEGA, durante a intervenção da presidente da autarquia, várias pessoas concentradas no exterior do edifício entoaram palavras de ordem como «mentirosa» e «demissão» e alega que Inês de Medeiros reagiu exigindo que «alguma coisa» fosse feita para travar os protestos, acrescentando que «se fosse na Câmara Municipal, ela saberia o que fazer».
Os deputados do CHEGA consideram ainda que a autarca terá solicitado ao presidente da Assembleia Municipal que pedisse às forças de segurança para retirar os manifestantes, atitude que classificam como um «claro abuso de poder».
O comunicado critica igualmente a intervenção do deputado da CDU João Geraldes, que, segundo o CHEGA, defendeu a adoção de medidas para remover da Assembleia Municipal os munícipes que perturbassem o normal funcionamento dos trabalhos.
Para o Grupo Municipal do CHEGA, estas declarações representam «um ataque à liberdade de expressão e manifestação dos cidadãos de Almada, muitos dos quais, refere o partido, se encontram descontentes devido aos sucessivos cortes no abastecimento de água registados no concelho nas últimas semanas».
No comunicado, os deputados concluem que a atuação da presidente da Câmara e do deputado comunista demonstra «uma total falta de respeito pela democracia» e pela população afetada pelos problemas no abastecimento de água.
Até ao momento, não é conhecida uma reação pública de Inês de Medeiros ou da CDU às acusações feitas pelo Grupo Municipal do CHEGA.
No decorrer da Assembleia Municipal, João Couvaneiro, presidente do órgão, explicou que «a porta da sala, onde decorrem sempre estas reuniões, está agora fechada devido ao ruído que se faz sentir no exterior e que pode perturbar os trabalhos».
A sessão chegou a estar interrompida em intervalo de cinco minutos, após a presidente da Câmara Municipal, Inês de Medeiros, afirmar que «não se encontravam reunidas as condições de dignidade da Assembleia Municipal» perante os gritos que se ouviam no exterior e algumas manifestações do público presente, e dirigir palavras de crítica à postura do CHEGA «porque ou estamos aqui para falar de coisas sérias ou para histerismos».
A moção de censura foi rejeitada com os votos contra do PS, CDU e Livre, a abstenção do Bloco de Esquerda e os votos a favor do Chega, PSD e Iniciativa Liberal.
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