Almada celebra São Martinho com tradição: Antónia Paiva mantém viva a arte da castanha assada há mais de duas décadas
Na Praça de São João Baptista, entre o fumo do assador e o frio de novembro, Antónia Paiva continua a aquecer as mãos e a memória dos almadenses, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações.

A Câmara Municipal de Almada partilhou esta sexta-feira uma publicação nas suas redes sociais dedicada a Antónia Paiva, figura já emblemática da cidade no mês de novembro. O pregão familiar — “Quentes e boas, quentinhas!” — ecoa mais uma vez no centro da cidade, junto à paragem do metro, no cruzamento entre a Praça de São João Baptista e a Avenida Dom Nuno Álvares Pereira.
Natural de Guimarães, Antónia vive em Almada desde os 13 anos e já se confunde com a paisagem humana do concelho. “Já quase que sou mais de Almada do que de lá”, contou à autarquia, num registo bem-disposto que confirma a ligação profunda construída ao longo das décadas.
Há 23 ou 24 anos — já perdeu a conta — que ocupa o mesmo ponto e vende castanhas assadas sempre no mês de novembro. Antes disso, foi vendedora ambulante de flores e de roupa interior, até encontrar o verdadeiro gosto na venda das castanhas e dos doces. “Tudo tem uma lógica: o lume, o corte, o sal e a maneira de assar”, explica, com o conhecimento de quem domina o ofício.
O Dia de São Martinho é, para Antónia, o melhor do ano. Trabalha desde cedo até à noite, a servir quem não dispensa o cartucho de castanhas quentinhas e o cheiro a tradição. Este ano, admite sentir o impacto da quebra do poder de compra: “A castanha é nova, está macia. Mas as pessoas têm menos poder de compra… a castanha é um mimo, um extra.” Ainda assim, os clientes habituais não falham e regressam todos os anos.
Entre o estalar do lume e o fumo que se mistura com o ar frio, Antónia não perde a energia nem o gosto pelo contacto humano. “Não é fácil, mas gosto muito do atendimento ao público”, confessa.
No Dia de São Martinho, quando os magustos se multiplicam por todo o país, Almada mantém viva a tradição no centro da cidade. E, como sempre, Antónia está no mesmo canto de sempre, a aquecer memórias com castanhas “quentes e boas, quentinhas”.
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