Alerta: Alimento comum eleva risco de cancro em 50%
Recentemente, um estudo revelou que um alimento comum na dieta pode aumentar o risco de cancro em 50%.

O bacon ao pequeno-almoço, o fiambre na sandes, a salsicha ao jantar. São refeições do quotidiano de milhões de pessoas em Portugal — e, segundo a ciência mais recente, podem estar a cobrar um preço muito elevado à saúde de quem as consome com frequência.
Uma metanálise publicada em 2025 na revista científica GeroScience, que reuniu e analisou 60 investigações científicas conduzidas entre 1990 e 2024, veio reforçar um alerta que já não é novo, mas que continua a ser ignorado por grande parte da população: o consumo elevado de carne vermelha e, sobretudo, de carne processada aumenta claramente o risco de desenvolvimento de cancro colorretal.
Os dados são difíceis de ignorar. A literatura científica consolidada estima que cada porção diária de 50 gramas de carne processada — pouco mais do que duas fatias de fiambre ou um pequeno chouriço — eleva em 18% o risco de cancro colorretal. Já o consumo diário superior a 100 gramas de carne vermelha está associado a um aumento de 17% desse mesmo risco. Noutros estudos, o risco associado à carne processada chega a atingir os 49% quando os níveis de ingestão são elevados.
Pedro Graça, diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, sublinha que as diretivas nutricionais internacionais assentam num conjunto robusto de evidências que incluem estudos observacionais, ensaios clínicos, revisões sistemáticas e metanálises. A posição é clara: a carne processada está classificada como cancerígena pela Agência Internacional de Investigação do Cancro, integrada na Organização Mundial da Saúde, enquanto a carne vermelha é considerada provavelmente cancerígena.
O problema não se fica pelo cancro do intestino. Estudos recentes identificam ainda associações com cancro do pâncreas e da próstata, embora as evidências sejam menos robustas nestes casos. Paralelamente, uma metanálise publicada em 2024 na revista The Lancet, que compilou dados de cerca de dois milhões de adultos em 20 países, associou o consumo excessivo de carne vermelha a um maior risco de diabetes tipo 2. Em 2023, outra investigação, publicada no European Heart Journal e envolvendo mais de 4,4 milhões de pessoas, documentou um risco cardiovascular acrescido.
O que pedem os especialistas é simples: moderação e diversificação. Reduzir o consumo de enchidos, bacon, salsichas e outros produtos cárneos processados e substituí-los por peixe, leguminosas e proteínas magras é apontado como uma das medidas mais eficazes na prevenção oncológica ao alcance de qualquer pessoa. A fibra alimentar, presente em cereais integrais, fruta e legumes, surge nos estudos como um fator protetor relevante.
Os autores da metanálise de 2025 são diretos nas conclusões: os resultados reforçam as recomendações dietéticas atuais que preconizam a limitação do consumo de carnes vermelhas e processadas como parte das estratégias de prevenção do cancro. A mensagem não é nova — mas, face à dimensão do problema e à sua presença diária nas mesas portuguesas, merece ser repetida.
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